Sinônimo, subjetividade ou manipulação? A palavra que faz a diferença

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Presidente Dilma Rousseff, na foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Presidente Dilma Rousseff, na foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

A presidente da República Dilma Rousseff e o seu governo foram vítimas de “bisbilhotagem”, como diz a Rede Globo, ou de “espionagem” pelo governo dos EUA, como dizem outros veículos de comunicação? Quem vai decidir sobre os embargos infringentes no caso dos réus do “Mensalão” é o Ministro Celso de Mello, como diz a Rede Globo, ou o STF (Supremo Tribunal Federal), um colegiado de juízes, como noticia o Jornal do Brasil? À grosso modo, parece tudo a mesma coisa, mas pra gente que é jornalista, profissional de comunicação, ou tem um olhar um pouco mais apurado, sabe que não.

E a gente sabe que, muitas vezes, apenas uma palavra diferente no título de uma reportagem impressa ou na chamada de uma notícia de Rádio ou TV pode fazer toda a diferença e influenciar na interpretação do fato, assim como a escolha dos entrevistados, os cortes de edição, etc.. Mas, será que essa “palavra diferente” é um sinônimo ou uma interpretação subjetiva de um fato? Penso que em alguns casos, uma simples consulta ao dicionário pode responder a esta pergunta. Em outros, é mais complexo, envolve contexto, história e, acima de tudo, conhecimento dos interesses dos envolvidos, especialmente do veículo de comunicação que traz a notícia. E a maioria da população não faz esta leitura.

E será que em alguns casos isso pode ser um mero erro jornalístico ou decorre mesmo da posição política daquele veículo de comunicação? Acredito que a probabilidade de erro é infinitamente menor, mas pode ser induzida, na medida em que muitos colegas acabam sendo influenciados pela linha editorial do veículo aonde trabalha e chegam, muitas vezes, a acreditar e propagar como verdade, digamos, aquela “versão” dos fatos.

Contudo, inegável é a posição política do veículo de comunicação em alguns casos, como nos exemplificados no início deste texto. E considero que todos os veículos de comunicação podem ter uma posição política, desde que a assumam publicamente. O que não é mais aceitável é o mesmo que, aliás, usufrui de uma concessão pública, se dizer independente, imparcial, a serviço exclusivamente do interesse público, quando está muito mais, acima de tudo, preocupado em defender seus próprios interesses e/ou daqueles a quem representa. E entre estes representados, certamente o povo não está nem mesmo entre os três primeiros da lista.

Erro

Fico a pensar se daqui a algumas décadas, quando, possivelmente, a população em geral tenha mais clareza desta situação, a qual considero uma manipulação covarde dos fatos, a Rede Globo vai assumir este erro, como O Globo (jornal das Organizações Globo) fez agora, recentemente, com relação a seu apoio aos militares durante a Ditadura? Quem sabe? Mas ainda não consigo vislumbrar este horizonte, ainda mais quando a Democratização da Mídia, que permitiria dar fim a monopólios como o das Organizações Globo, ainda está longe de ser concretizada.

A sutileza com que manipula também lhe permite se apoiar em discursos evasivos e retóricos que, vindo da “toda poderosa”, soam como verdade à maioria da população. E, embora a Internet, com blogs independentes e as redes sociais, contribuam para uma interpretação mais aprofundada, ela ainda é restrita a certa parcela da população e é um espaço muito disputado, inclusive por eles, os donos da Mídia.

“Me senti como lixo”. Opinião de Carlos Nascimento sobre a queda do diploma ecoa sentimento de jornalistas brasileiros

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Carlos Nascimento (sentado, à esquerda), apresentador do Jornal do SBT, em palestra no Senac de Piracicaba.

Frente Parlamentar em Defesa do Diploma de Jornalista foi lançada novamente ontem, na Câmara. Propostas que restabelecem a necessidade do Diploma dependem de decisão política dos presidentes (CF e Senado) e líderes de bancadas. 

“Achei que foi um tremendo desrespeito. Me senti como lixo”, respondeu o jornalista Carlos Nascimento, apresentador do Jornal do SBT, quando perguntado sobre a queda do diploma de jornalista por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2009. O assunto, entre outras questões envolvendo a profissão de jornalista e Imprensa, foi abordado em palestra de Nascimento no Senac de Piracicaba (SP), dia 24 de Setembro. “A regulamentação do Diploma, embora tenha sido na época da Ditadura (decreto de 1969, regulamentado em 1979), foi importante para estabelecer regras, profissionalizar, para que os jornalistas conquistassem salários melhores”, completou ele.

A opinião de Nascimento, com um histórico profissional que se mistura à história da imprensa brasileira dos últimos 40 anos, ecoa o sentimento da ampla maioria dos jornalistas profissionais do País, ofendidos com a equivocada decisão do STF e temerosos sobre as consequências que isso acarretará ao futuro da profissão e à qualidade do Jornalismo. “Hoje, com a Internet, qualquer pessoa se candidata a ser jornalista. Daqui pra frente, acho que vai ficar mais difícil. Creio que haverá mais oportunidades, mas menores salários.”, disse Nascimento, entre outras considerações, nas quais demonstrou preocupação com o futuro da profissão de Jornalista em decorrência das novas mídias e consequente impacto nos tradicionais modelos de veículos de comunicação jornalística.

Frente Parlamentar e PEC´s  tentam restabelecer necessidade do diploma 

Lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma de Jornalista, ontem à noite, na Câmara.

No início da noite de ontem, mais de dois anos após a decisão do STF, fundamentada na “liberdade de expressão” prevista na constituição Federal de 1988, foi lançada na Câmara Federal, pela segunda vez, a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Diploma de Jornalista, encabeçada pela deputada Rebecca Garcia (PP-AM), com mais de 200 assinaturas. O principal objetivo da Frente é viabilizar a votação e aprovação de uma das duas Propostas de Emenda Constitucional (PEC´s ), que pretendem deixar claro na Constituição a necessidade do diploma universitário específico para o exercício da profissão de jornalista.

As duas PEC´s já passaram por todas as comissões permanentes e estão prontas para entrar na pauta dos parlamentares. Isso depende, apenas, da vontade política dos presidentes da Câmara e do Senado e da adesão de líderes de bancadas ou, ao menos, da maioria deles. Pelas informações mais recentes que temos da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo e dos deputados envolvidos nessa iniciativa, como Rebecca e Paulo Pimenta (PT-RS)_ autor de uma das PEC´s (386/09)_, a situação indica possibilidade de aprovação do pleito. Segundo notícia veiculada ontem no site do Sindicato dos Jornalistas de SP, a proposta de Pimenta já conta com o “apoio declarado de 109 parlamentares”.

“Muito provavelmente conseguiremos aprovar essas PEC´s. (…) Queremos evitar essas pessoas que querem se aproveitar da não exigência do diploma. (…)”, disse Rebecca Garcia, em entrevista à Rádio Câmara, ontem pela manhã. Outra notícia do Sindicato de SP informava, no final da tarde de ontem, que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) comprometeu-se, mais uma vez, durante a sessão extraordinária de quarta-feira (dia 5), em colocar a PEC na ordem do dia antes do final do ano, para debate e votação. Gostaria, sinceramente, de acreditar nisso!

Fontes:

Rádio Câmara- http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/?lnk=0957-ENTREVISTAREBECCA-GARCIA-EXPLICA-TRABALHO-DA-FRENTE-EM-DEFESA-DO-DIPLOMA-DE-JORNALISTA-0757&selecao=MAT&materia=127913&programa=41

Sindicato dos Jornalistas de SP- http://www.jornalistasp.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3554&Itemid=1

http://www.jornalistasp.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3553&Itemid=2

OBS.: Veja posts anteriores relacionados