Debate sobre violência contra jornalistas expõe omissão de empresas de comunicação, da Polícia e do Estado

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Band TV figurou como vítima no episódio da morte do cinegrafista Santiago Andrade; policial autor do disparo da bala de borracha que cegou o repórter fotográfico Sérgio Silva ainda não foi identificado

Debate SPL SP 21.8 (5)

‘Tiro, porrada e bomba: violências contra o jornalismo e os jornalistas’ foi o tema do debate realizado pelo Coletivo de Jornalistas Sindicato É Pra Lutar!, dia 21/8

A morte do cinegrafista Santiago Andrade, durante a cobertura de um protesto no Rio, em fevereiro deste ano e outros casos recentes foram relembrados no debate ‘Tiro, porrada e bomba: violências contra o jornalismo e jornalistas’, realizado na capital, quinta (21/8), pelo Coletivo de Jornalistas do estado de São Paulo Sindicato É Pra Lutar! (SPL). E que bom! Esses casos merecem ser lembrados porque não tenho dúvida de que nem todos os culpados foram responsabilizados, ao menos aos olhos da opinião pública, não mesmo.

 

Embora não seja ela quem acendeu e/ou atirou o explosivo que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade, a Rede Bandeirantes de Televisão também pode ser responsabilizada pela morte dele, assim como de seu outro cinegrafista (Gelson Domingos da Silva), atingido durante tiroteio em favela do Rio, em outubro de 2011. Ambos pela falta de, ao menos, treinamento, equipamentos e condições de segurança adequados para o trabalho em coberturas jornalísticas de risco. Sem isso, esses colegas contaram apenas com a sorte, como muitos de nós contamos no nosso trabalho cotidiano!

 

E o que faz a Band? Aliada a todo o clã de emissoras de TV brasileiras que, em maioria, agem da mesma forma irresponsável e omissa com a segurança de seus profissionais de Jornalismo, atacou. Culpou os manifestantes, a Polícia e, principalmente, o governo, jogando pra ele toda a responsabilidade por não garantir a segurança dos jornalistas (mas não qualquer um, claro, dos seus da grande mídia) nos protestos e manifestações de rua.

 

Era o momento das entidades de classe botarem a boca no trombone, e algumas até o fizeram, mas evidente que suas manifestações não ocuparam espaço nem perto de significativo do noticiário da grande imprensa, que estampou como vítimas as emissoras de TV travestidas de ‘Imprensa imparcial a serviço da sociedade’.

 

Entidades se manifestam

 

“Santiago é mais uma vítima da irresponsabilidade das empresas jornalísticas, que se recusam a fornecer equipamentos de segurança, treinamento e estabelecer como regra primordial de segurança o impedimento do profissional trabalhar sozinho”, disse o presidente da ARFOC Brasil (Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos), Luiz Hermano, e o presidente da ARFOC Rio, Alberto Jacob Filho, em nota publicada e disponível no site da ARFOC Rio, dia 10 de fevereiro de 2014, dia em que Santiago morreu.

 

Segundo esta reportagem da EBC (veiculada no Último Segundo), quando Gelson Domingos foi atingido, usava um colete à prova de balas, mas o projétil ultrapassou a proteção. “Para a presidenta do sindicato (dos Jornalistas do Rio de Janeiro), Suzana Blass, a morte do cinegrafista foi uma tragédia anunciada, porque os coletes fornecidos pelas empresas de comunicação não resistem a tiros de fuzil”, informa a reportagem.

 

Nesta entrevista à RádioTube, Jacob Filho relata várias irregularidades cometidas pela Band Rio, como a terceirização de quase todos os profissionais, alguns contratados como radialistas (que têm pisos salarias mais baixos que os jornalistas), profissionais de imagem sendo usados também como motorista e iluminador da equipe. “Sem dúvida nenhuma, a BAND é responsável pelas mortes dos cinegrafistas”, afirma Jacob Filho à Rádio.

 

Policiais são maioria dos agressores

 

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Sérgio Silva, em foto divulgada em seu perfil no Facebook dia 28/6

Embora nos casos de Santiago e Gelson, o que os atingiu não tenha partido de policiais, a maioria das agressões deliberadas (com intenção) contra jornalistas nos protestos de 2013 partiu de forças de segurança (policiais militares e guardas municipais), 55 de 70, conforme pesquisa realizada e divulgada pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

 

Durante o debate do SPL, vários outros episódios recentes de violência policial contra jornalistas foram lembrados, como o do repórter fotográfico da Futura Press, Sérgio Silva, e a repórter da TV Folha, Giuliana Vallone, feridos por balas de borracha em cobertura de protesto em São Paulo, em junho de 2013. Em decorrência disso, Sérgio Silva ficou cego de um olho, mas o responsável pela bala que o atingiu ainda não foi sequer identificado.

 

Democracia X Ditadura

 

Entre os debatedores (o tenente-coronel Adilson Paes de Souza e os jornalistas Bruno Paes Manso, Fausto Salvatori e Lúcia Rodrigues) a opinião é de que é possível, sim, identificar o policial que disparou o tiro (assim como qualquer outra agressão), já que todos os policiais que saem para uma operação são identificados e instruídos previamente e respondem a um comando. Lúcia entende que nem os policiais e nem a Polícia agem isoladamente, mas “obedecem a uma política de Estado, que visa a defesa do patrimônio e não das pessoas. Os manifestantes são vistos como inimigos, uma ideologia da ditadura militar”, disse ela.

Debatedores ouvem perguntam da plateia

Debatedores interagiram com a plateia

Como solução, Souza defendeu a desmilitarização da Polícia e, por enquanto, em casos de violência policial que o Ministério Público seja acionado, pois tem a obrigação constitucional de fiscalizar o trabalho da Polícia. Salvatori, do site de notícias http://ponte.org/, mencionou que o Brasil da democracia matou mais jornalistas do que a ditadura militar, segundo dados do Comitê de Proteção a Jornalistas e levantamento da Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva”, da Assembleia Legislativa de São Paulo: 29 profissionais foram assassinados em represália por seu trabalho, entre 1992 e 2013, contra 12 jornalistas, no exercício da profissão, mortos pelo regime militar entre 1964 e 1985.

 

Bruno Manso,  também do site Ponte, expôs a contradição que há em tempos de internet, mídia ninja e divulgação rápida dos fatos, que, se por um lado agrega o enriquecimento da informação vista por quem é parte da notícia, por outro expõe de forma solitária os comunicadores. “O trabalho do jornalista está bastante precário”, afirmou Manso. O debate foi mediado pelo jornalista Pedro Malavolta, que defendeu ações concretas e permanentes dos sindicatos em defesa da segurança dos profissionais e criticou ações sindicais de aproximação dos jornalistas à Polícia Militar, conforme observado recentemente no Rio Grande do Sul, segundo essa notícia do site Sul21.

* Com informações das jornalistas Luciana Mendonça e Cecília Figueiredo

Para Audálio Dantas, falta coragem dos governos para agir contra abusos da PM

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Da esquerda para direita: Cardoso, Audálio Dantas, Torves (mediador) e Rebelo

Da esquerda para direita: Cardoso, Audálio Dantas, Torves (mediador) e Rebelo

“A PM é uma herança maldita! Raros são os dias em que policiais militares não atiram para matar nas periferias das grandes cidades, fazendo vítimas jovens e negros. Falta coragem dos governos para agir contra isso”, disse o jornalista e escritor Audálio Dantas, durante o 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado entre 2 e 6 de abril de 2014, em Maceió (AL). Ele foi um dos convidados para o debate ‘O Jornalismo e a Democracia contemporânea’, dia 4, ao lado de Edson Cardoso, assessor especial da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, e Aldo Rebelo, ministro dos Esportes.

Aos colegas que não conhecem a história de Audálio Dantas, recomendo a pesquisa. Aos 80 anos de idade, se mostra mais lúcido que muitos jovens adultos. Entre outros feitos, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) entre 1975 e 1978, período em que a entidade denunciou a omissão das autoridades no caso da morte de Vladimir Herzog (então diretor da TV Cultura de São Paulo), torturado e morto pelos militares. Também presidiu a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj): o primeiro eleito por voto direto, em 1983.

Depois de suas exposições iniciais, Dantas e Cardoso interagiram com a plateia e contribuíram para um bom debate, um dos melhores do Congresso em minha opinião, apesar do que considerei uma falta de respeito do ministro e colega (jornalista) Aldo Rebelo, cujo ministério- dos Esportes- foi um dos patrocinadores do Congresso, assim como a Seppir, entre outros.

Saída à francesa

Rebelo falou à vontade e foi embora sem sequer ouvir as perguntas dos participantes. A justificativa foi que precisava visitar sua mãe. O discurso do ministro foi longo. Ele falou das dificuldades enfrentadas por jornalistas e políticos durante a Ditadura e reclamou de críticas veiculadas pela Imprensa sobre a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, que será realizada no Brasil neste ano. Enquanto Rebelo falava, alguns cartazes, com críticas à Copa e/ou à forma como o evento vem sendo viabilizado, foram erguidos na plateia.

Contraditório como justamente em um Painel sobre Jornalismo e Democracia, um dos debatedores da Mesa (o ministro e jornalista) discursa e vai embora, e ainda, na sequência, a direção da Fenaj (realizadora do Congresso) tenta restringir as inscrições para perguntas em apenas três diante de uma fila de pelo menos doze companheiros, a maioria delegados (eleitos pelos sindicatos estaduais para representar a base no Congresso). Sob protestos, mas somente após intervenção de Cardoso (Seppir), acabaram voltando atrás e reabrindo os microfones.

Também coube a Cardoso tentar remediar a ausência do colega do Planalto, sugerindo o envio das perguntas por e-mail. Sem desconsiderar a boa vontade dele, certamente que quem vai a um debate não se conforma em enviar perguntas por e-mail. Cardoso se disse emocionado ao ver o tamanho da fila que se formou rapidamente após as exposições dos debatedores. “Sinal de que as pessoas têm algo a dizer”, disse ele.

Audálio em Campinas

Na próxima quarta (23 de abril), Audálio Dantas participará de debate da Jornada de Jornalismo da PUC-Campinas (Campinas-SP), a partir das 19h30, no Auditório D. Gilberto (Campus I). O tema do debate será o Golpe de 1964.

 

* Com informações do Portal dos Jornalistas (sobre trajetória de Audálio Dantas)- http://www.portaldosjornalistas.com.br/perfil.aspx?id=2494 e do SJSP- Regional Campinas (sobre o debate em Campinas)

Polícia impede acesso da Imprensa a Boletins de Ocorrência de chacinas que mataram 12 em Campinas

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Há suspeita de que crimes tenham sido praticados por policiais. Chacinas ocorreram na região do Ouro Verde, horas depois de um PM ter sido morto em uma suposta tentativa frustrada de assalto na mesma região

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A Polícia civil impediu o acesso da Imprensa aos Boletins de Ocorrência (BOs) de chacinas que provocaram a morte de 12 pessoas em bairros da região do Ouro Verde, em Campinas (SP), entre a noite de domingo (12) e a madrugada desta segunda (13/01). A negativa de acesso a estas informações públicas, como de costume, aos repórteres que fazem a cobertura policial na cidade, desperta ainda mais suspeitas contra a Polícia (corporação), já que policiais estão entre os suspeitos de autoria das chacinas.

Conforme noticiado pela Imprensa, as chacinas ocorreram horas depois de um policial militar ter sido morto em uma suposta tentativa de assalto a um posto de gasolina na mesma região. Segundo relatos de testemunhas, os assassinatos em grupo foram praticados por homens encapuzados, trajando “capas estilo militar”, que chegaram em dois carros. No bairro Vida Nova, os assassinos teriam pedido que algumas crianças entrassem para dentro de uma casa antes de fazerem os disparos contra um grupo de jovens que estavam na calçada.

Passagem pela Polícia

Entre as primeiras informações dadas pela Polícia em coletiva à Imprensa, na manhã desta terça (13), está a de que pelo menos a metade dos mortos já identificados nas chacinas tem passagem pela Polícia, evidenciando a tentativa de “justificar” as mortes (lembrando a máxima de Maluf, pai da Rota, de que “bandido bom é bandido morto”) e amenizar a indignação das pessoas em geral. Mas claro que a indignação da classe média e alta, em sua maioria absoluta, não vai além de um “nossa, que horror!”, já que morto da periferia (bandido ou não) não tem, nem de perto, o mesmo valor de morto de bairro nobre.

Como bem lembrou um colega jornalista, há poucos meses uma onda de assaltos em Barão Geraldo (distrito universitário, classes A e B) e um deles, em especial, que levou à morte uma professora, provocou uma série de reportagens na Imprensa e reforço do policiamento no local. Quais serão, então, as ações imediatas da Polícia comandada por Geraldo Alckmin (PSDB) na região onde foram assassinadas 12 pessoas em poucas horas? Certamente, bem diferentes, já que a região do Ouro Verde, uma das mais populosas da cidade, é também uma região periférica e pobre.

Ainda mais, depois que alguns ônibus foram incendiados no Vida Nova (um dos locais das chacinas), nesta terça (13), possivelmente como forma de protesto pelas execuções em grupo, exatamente como vêm ocorrendo na Região Metropolitana de São Paulo.. Um outro colega da Imprensa local chegou a sugerir à PM que não chegasse “quebrando tudo” para coibir as depredações de ônibus, ciente de que este é o comportamento costumeiro da Polícia nestes casos.

Policiais investigando policiais ?!?

O Comando da Polícia também disse, via Imprensa, que as investigações das chacinas seriam comandadas por 5 delegados e, como reforço, também estaria vindo de São Paulo uma equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), já que Campinas não tem uma Delegacia de Homicídios. Compreendo que a Polícia tem de fazer o papel dela, de investigar crimes, mas neste caso, em que há suspeita de envolvimento de policiais, como acreditar que esta investigação, conduzida por policiais, será minimamente isenta? Necessária e urgente a intervenção do Ministério Público e de órgãos de Direitos Humanos para que os fatos sejam apurados de forma independente, já que ao DHPP também caberia um R no final, pois costuma ser mais útil na proteção de pessoas ricas.

Volto agora a me debruçar ao fato da Polícia ter negado acesso da Imprensa aos BOs das chacinas, o que nos remete ao período da Ditadura Militar no Brasil, em que a Imprensa tradicional passou a ser mera divulgadora de releases (textos prontos) do governo (militar) e receitas de bolo. Um período em que direitos básicos, entre eles o direito à informação, foram negados, e a barbárie tomou as ruas, como bem sabemos. Concluo que, enquanto os militares (que carregam os mesmos princípios que tinham na época da “revolução”) estiverem nas ruas, executando função que cabe à uma guarda civil, os direitos humanos não serão respeitados plenamente.

Mais do que tudo, é preciso agir na causa.. são necessárias e urgentes também mudanças na Polícia e na política de segurança pública do País, mas, para isso, é preciso muita Coragem! Clamo por isso, ansiosamente.

Foto: Marcelo Camargo/ ABr (Audiência Pública, em janeiro de 2013, sobre violência na periferia de São Paulo)

Fotos de velório de vítimas das chacinas. Por Leandro Ferreira–  https://www.facebook.com/fotografoleandroferreira/media_set?set=a.671953989522327.1073741904.100001231963459&type=1

 

Repressão da PM em SP prova ascensão do poder e influência de forças políticas opressoras

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A repressão da Polícia Militar do estado de São Paulo aos manifestantes e a jornalistas que atuavam na cobertura dos atos de protesto contra o aumento do valor da passagem de ônibus na cidade de São Paulo, nesta semana, é prova concreta e inconteste do crescente poder e influência de forças políticas opressoras, atrasadas e com mentalidade tacanha, pra dizer o mínimo (alguns as chamam de conservadoras, mas acho um adjetivo muito leve para o caso). Há meses, talvez mais, observamos movimentos políticos com objetivo de nos levar de volta ao Brasil dos anos 1930, 1950, tendo como exemplo mais visível e marcante o “personagem” incorporado por Feliciano (pastor e deputado federal), entre outros que representam alguns grupos religiosos.

Apesar de demonstrar abertamente preconceitos e posições discriminatórias (algumas que podem ser consideradas crime, inclusive) que pensávamos já estarem ficando no passado recente desta sociedade “moderna” (?), como sua proposta pela “cura gay”, comentários racistas, machistas e homofóbicos, Feliciano se mantém ileso como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Em várias capitais e grandes cidades do País não faltaram protestos e manifestações públicas requerendo a destituição desta pessoa humana (pasmem!) do cargo. Os protestos foram totalmente pacíficos e não se teve notícia de intervenção da PM, porém, sem sucesso!

A diferença fundamental, agora, nestes protestos iniciados pela indignação com o aumento da tarifa de ônibus, é o dinheiro, claro, e muito, nada menos que o lucro milionário dos donos das empresas de ônibus que exploram os sistemas de trasportes na capital do estado e em todo o País. Nadam de braçada, fazem o que querem para manter seus altos lucros. E os usuários do sistema que se lixem, que se espremam dentro de ônibus, metrôs e trens superlotados, que levem horas nestas condições sub-humanas para chegar ao trabalho e voltar pra casa. Ainda expõem os trabalhadores do sistema a péssimas condições, sem o menor constrangimento. E todos têm de se conformar e aceitar sem reclamar, claro, afinal, “a vida é assim, difícil mesmo”.

Assim, aliaram-se o objetivo político destes grupos ditos “conservadores”, o que inclui reprimir os movimentos sociais e qualquer manifestação ou protesto que vá contra a “ordem e os bons costumes”, e o objetivo dos capitalistas em manter tudo como está para garantir alta lucratividade.

Novo cenário na RMSP

Ao mesmo tempo, temos na cidade de São Paulo e no ABC a predominância de prefeituras que passaram, no início deste ano, a ser administradas pelo Partido dos Trabalhadores (PT), nascido dos movimentos sociais na década de 1980, que também se mantém no governo federal há 10 anos e, embora mais recentemente tenha se afastado um pouco desta sua origem, conserva entre seus pares vozes mais críticas e com boa influência, que se mantêm ligadas aos movimentos sociais. Desse modo, a possibilidade destes movimentos sociais serem “ouvidos” por estes governos era maior neste momento.

Em outras capitais também estavam ocorrendo protestos… “se a moda pega”, imagine a proporção a que isso poderia chegar. Conclusão, eles (os capitalistas e os políticos conservadores e oportunistas que os representam) precisavam “abortar” o Movimento antes que tomasse força e conseguisse sensibilizar os prefeitos e a sociedade para algo muito maior que os R$ 0,20 acrescidos ao valor da tarifa de ônibus. E a cidade de São Paulo, a mais importante e influente do País, deveria servir de exemplo.

Erro estratégico

Talvez, o que estas forças opressoras não contavam era que o que chamam de “despreparo de policiais militares”, atingindo violentamente manifestantes, jornalistas e até cidadãos comuns que passavam pelos locais, chegaria a tal ponto de chamar a atenção da sociedade para a realidade, a verdade, que cotidianamente faz calar o trabalhador e a trabalhadora brasileiros, embevecidos pelo enredo da novela das oito misturado propositalmente ao do noticiário televisivo. A classe média “politicamente correta” também não aceitou tal postura, afinal, conhece a história e sabe ao que levou a opressão por meio da repressão policial na Ditadura nos anos de 1960-70.

É claro que a barbárie generalizada foi o erro estratégico, mas a faísca que talvez faltasse foi atingir e prender jornalistas (profissionais a quem a sociedade delega o poder de buscar e lhes trazer a informação) e, detalhe, todo tipo deles, desde o free lancer ao funcionário da grande mídia (burguesa). Pronto, a bomba fora acionada. Nas redes sociais digitais, milhões de comentários criticando a ação da PM, alguns com mais profundidade.. Órgãos nacionais e internacionais ligados a entidades de classe e de direitos humanos começam a se manifestar em apoio aos protestos no Brasil.

Será que agora, somente agora (embora não tarde), a sociedade de modo geral vai conseguir enxergar este movimento opressor e preconceituoso, disposto a impor o retrocesso histórico e cultural neste País a qualquer custo? Será que vamos parar para refletir com profundidade sobre quem são estes grupos e o que representam? Espero que sim.