Blogueir@s apontam necessidade de rede de apoio e financiamento

Deixe um comentário

1 Encontro de Blogueiros Cps e Reg. 25.3.17 Veronique Hourcade (3)

Blogueiros e ativistas da região de Campinas expõem dificuldades e desafios

Participantes do 1º Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais de Campinas e Região apontaram a necessidade de criação de uma rede de apoio e financiamento, que viabilize a execução de suas atividades com o mínimo de tranquilidade e segurança. Além do patrocínio, essa rede incluiria apoio jurídico e a valorização dos conteúdos produzidos por esses comunicadores, que podem contribuir muito com os movimentos sociais de esquerda e a classe trabalhadora da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

De fato, não falta gente interessada e comprometida nem mesmo espaço, já que os tradicionais sites de notícias da região são bem poucos e muitas vezes deixam a desejar em qualidade e representatividade da maioria da população, composta por trabalhador@s, mulheres e negr@s. Na pauta desses veículos de comunicação, via de regra os interesses do grande empresariado se sobrepõem aos da maioria e, muitas vezes, o que vemos são fatos distorcidos e desrespeito aos Direitos Humanos.

1 Encontro de Blogueiros Cps e Reg. 25.3.17 Veronique Hourcade (5)

Michele da Costa: Blog da Mi e Coletivo Jornalistas de Campinas e Região

O Encontro foi realizado dia 25 de março, pela Adunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp) em parceria com o site Carta Campinas e o Barão de Itararé. Participei da Mesa da tarde, enquanto mediadora, blogueira e representante do Coletivo Jornalistas de Campinas e Região, por isso não pude deixar de falar sobre a precarização das condições de trabalho dos jornalistas, iniciada muito antes da “lei da terceirização”, que prefiro chamar de legalização da precarização.

Além disso, com as demissões em massa nos veículos de comunicação tradicionais nos últimos anos, a internet tem se tornado um novo campo natural para o trabalho de muitos jornalistas, que investem em sites e blogs de informação e opinião, mas quase sempre esbarram na dificuldade em obter patrocinadores e/ou anunciantes. Se tem posicionamento político de esquerda, então, fica ainda mais difícil. Daí a oportunidade de investimento para movimentos sociais, entidades e pessoas que desejam a ampliação de uma rede de informação qualificada, classista e, no caso de Campinas, voltada aos acontecimentos regionais, o que seria uma grande e boa novidade.

1 Encontro de Blogueiros Cps e Reg. 25.3.17 Veronique Hourcade (7)

Paulo San Martin (Adunicamp) fala sobre proposta de central de compartilhamento

Nesse contexto, a Adunicamp apresentou a proposta de criação de uma rede de compartilhamento de conteúdo para blogueir@s, em desenvolvimento por meio de parceria com professores do Instituto de Computação da Unicamp. Os participantes demonstraram interesse e fizeram sugestões de possíveis ajustes.

Entre os participantes da Mesa, Elias Aredes (Bola com Gravata e Só Derbi), Lucas Santana e Paola (Bonde Mídia), Júnior (Socializando Saberes), José (Galoá Journal), Gilberto Gonçalves (Jornal Alto Taquaral) e Sérgio (Advogados Independentes Campinas). Rodrigo Grassi, do Botando Pilha, também contribuiu com uma exposição inicial. Na parte da manhã, o evento contou com um bom público, que compareceu para prestigiar os convidados Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Aparecido Araújo Lima (Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé) e Glauco Cortez (Carta Campinas).

1 Encontro de Blogueiros Cps e Reg. 25.3.17 Veronique Hourcade (2)

Mesa da manhã (da esquerda para a direita): Glauco Cortez, Eduardo Guimarães, Paulo Henrique Amorim e Aparecido Araújo Lima

1 Encontro de Blogueiros Cps e Reg. 25.3.17 Veronique Hourcade (1)

Plateia acompanha apresentação de convidados durante a manhã

Fotos: Véronique Hourcade

Nacionalismo, jingles chiclete e o grande golpe contra os trabalhadores

Deixe um comentário

Rovena Rosa. Agência Brasil

Jovem torcedor (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Enquanto os olhos e corações dos brasileiros naturalmente se voltam para os Jogos Olímpicos do Rio, embalados por narrações emotivas e jingles chiclete de grandes patrocinadores, as articulações do setor empresarial e seus aliados políticos para a redução de direitos sociais e dos trabalhadores avançam sorrateiramente no Congresso Nacional. Até esse recente episódio da novela do Impedimento da presidenta Dilma (mesmo sem crime de responsabilidade), com o já mega esperado prosseguimento pela votação, se sobrepõe no cenário nacional ao assalto pretendido contra a maioria esmagadora da população, a classe trabalhadora, esse sim, o grande golpe em curso programático e silencioso no nosso País nos últimos anos.

Quando aparece, é como algo natural, um pequeno sacrifício que todo cidadão precisa fazer para tirar o país da crise. Mas não é coincidência que isso apareça com mais força nesse momento. O nacionalismo exacerbado sempre acompanha processos históricos de disputa pelo poder. Se pode vir acompanhado de uma grande festa e heróis nacionais, melhor ainda! A torcida que ocupa hoje estádios e arenas dos jogos olímpicos veste a mesma camisa verde e amarela usada pelos grupos a favor do afastamento de Dilma e “contra a corrupção” nas ruas das grandes cidades e que agora se calam vergonhosamente diante dessa agenda de retrocessos.

Ato 15.3.15 Campinas. Lucas Sampaio

Ato contra Dilma em 2013 (Foto: Lucas Sampaio)

São essas cores também, assim como o azul e o branco, que estampam o lema “Ordem e Progresso” da Bandeira Nacional na propaganda do governo interino de Michel Temer. Ele, que é porta bandeira, não da defesa da soberania nacional, como caberia a um chefe de Estado, mas dos interesses do grande capital, principalmente o internacional. São várias as propostas de alteração de leis que preveem a retirada de direitos sociais e dos trabalhadores, mas os maiores destaques da recente agenda empresarial no Congresso são os PLs 4193/2012 e 4962/2016, como bem colocou Marilane Teixeira, em artigo veiculado no início de agosto no site do Sindicato dos Químicos de São Paulo.

Pelegos de plantão

Ambos Projetos querem a prevalência do “negociado sobre o legislado” sobre itens previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), ou seja, se em acordo coletivo com o empregador a categoria de trabalhadores aceitar reduzir alguns desses direitos, como parcelamento de férias, redução de adicionais e horas extras, essa negociação prevalecerá sobre a legislação. Daí tem gente que vai dizer, mas será que essa negociação também poderia favorecer os trabalhadores? Bem, se a ideia fosse favorecer trabalhador nada precisaria ser alterado e nem seriam os patrões os articuladores disso, já que a função dos acordos coletivos são unicamente ampliar direitos, nunca suprimir.

Tanto que se, por vezes, um acordo celebrado rebaixa um item previsto na legislação, é certo que rende indenização via Justiça trabalhista. O curioso é que o discurso do interino Temer e sua trupe no Congresso, pra tentar justificar essa barbárie, além da “necessidade de flexibilizar direitos para promover a geração de empregos”, destaca a intenção de “dar mais poder aos sindicatos”! Faz-me rir! Sim, para sindicatos com dirigentes pelegos seria um prato cheio.

A Força Sindical, por exemplo, já disse, nessa notícia de O Globo, que não irão se colocar contra a reforma (trabalhista), “desde que a proposta seja pautada pelo fortalecimento da negociação coletiva”. Ele (João Carlos Gonçalves- Juruna) destacou que em outros países não existe uma CLT como no Brasil, apenas uma legislação básica. Mas, isso não impede uma boa relação entre capital e trabalho (…)”. Óbvio que a intenção é diametralmente oposta, na verdade querem reduzir o poder e representatividade dos sindicatos, enfraquecer as categorias e, por consequência, toda a classe trabalhadora.

Flexibilizar = precarizar

Na prática, quando dizem “flexibilizar”, leia-se reduzir, precarizar. Quanto à gerar empregos, é possível, mas precários e com salários rebaixados, haja vista o PL da Terceirização (4330) no Senado, já aprovado na Câmara Federal, que permite contratações de trabalhadores como pessoas jurídicas, mantendo a relação de trabalho, mas sem os direitos trabalhistas e ainda impondo o custeio de impostos empresariais. A categoria de jornalistas é um bom exemplo da imposição da terceirização e a precarização consequente, há anos, bem antes de se propor essa “legalização”, que veio justamente para tentar evitar as despesas dos empresários com indenizações obtidas via judicial.  

No fim das contas, as empresas querem se tornar mais competitivas e lucrativas, reduzindo o custo com mão-de-obra, ou seja, aumentar seu capital às custas do trabalhador, que passa a produzir mais por menos ($). O trabalhador só perde: renda, qualidade de vida e, a médio prazo, a saúde. Nesse artigo para a Revista do Brasil, o economista Marcio Pochmann adverte para outra consequência dessa agenda: “Com menor rendimento e maior flexibilidade contratual, os trabalhadores consomem menos ainda, fazendo contrair, em consequência, o consumo. E, por sua vez, a provocação da queda da demanda na economia como um todo, fazendo aumentar o desemprego da força de trabalho. Retrocesso em cima de retrocessos.”

Concluindo; nem mesmo a recuperação da economia estaria garantida com essa cruel lógica neoliberal. Então, com todo o respeito aos atletas brasileiros que cumpriram seu papel nessa Olimpíada, ganhando medalhas ou não, acho que o momento exige menos idolatria a uma bandeira e outros símbolos nacionalistas e mais reflexão e mobilização pela garantia de direitos e um projeto de País que contemple as necessidades de todas as pessoas.

 

Jornal O Vale: quando a ilegalidade vira rotina

2 Comentários

Votação de estado de greve na Redação de O Vale, em janeiro de 2013 (foto extraída do site do SJSP)

Votação de estado de greve na Redação de O Vale, em janeiro de 2013 (foto: SJSP)

O pagamento de salários com atraso, a contratação de jornalistas como ‘freela fixo’ (sem registro em carteira) e contratações por salários abaixo do piso da categoria já viraram rotina no Jornal O Vale, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP). Nos últimos dias, uma pessoa que trabalha na Redação do “digníssimo” periódico me procurou para falar destes problemas, que revelam a precariedade a que são submetidos os colegas lá. Infelizmente, sabemos que esta não é a única empresa que precariza jornalistas, mas nem por isso tais ilegalidades podem ser admissíveis, banalizadas.  

 

Segundo este relato, o atraso no pagamento dos salários teria atingido todos os trabalhadores (310, segundo o site da empresa), mas há outras irregularidades na contratação de jornalistas: maioria dos repórteres contratados como ‘freelancers fixos’ (sem registro em carteira e os direitos previstos na legislação trabalhista, mas com as mesmas obrigações que qualquer outro trabalhador) e com salários muito abaixo do piso da categoria, acúmulo de função e de horas extras não pagas. “O pior é que os editores estão chamando novos profissionais para trabalhar sabendo que a empresa não está conseguindo cumprir os compromissos financeiros”, acrescenta.

 

Em resposta a esta pessoa, a Regional do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP) disse que já fizeram tudo que podiam sem a participação dos funcionários, por isso só restaria a greve, já que o atraso no pagamento de salários nesta empresa ocorre há mais de um ano. A empresa alega que não tem dinheiro para honrar seus compromissos e a situação já foi e continua sendo denunciada ao Ministério Público do Trabalho, que aplicou multas, segundo esta resposta do SJSP.

 

Histórico

 

Em uma rápida busca no Google encontrei duas notícias sobre o problema em O Vale (nenhuma em site de empresas jornalísticas, claro). Uma delas no site do SJSP, de 29 de novembro de 2012, fala de uma mesa redonda que aconteceria entre Sindicato e diretoria da empresa, devido ao atraso no pagamento dos salários em 2 meses consecutivos. Já a segunda notícia, veiculada no site da Comunidade JusBrasil, há 1 ano, traz um histórico do caso, que inclui também o jornal Bom Dia (os dois jornais pertenciam à mesma empresa, a Valebravo Editorial, ambos em S. J. dos Campos).

 

O histórico relata uma manifestação conjunta em frente à empresa, realizada por quatro sindicatos (dos Jornalistas, dos Gráficos, dos Publicitários e dos Administrativos), e a realização de uma Mesa Redonda no DRT, que gerou um acordo que não foi cumprido pela empresa. Ainda, conforme esta notícia do JusBrasil, no dia anterior à manifestação os trabalhadores estavam em estado de greve e a direção da empresa teria trancado as portas para impedir que saíssem e participassem da assembleia que decidiria pela paralisação.

 

Há informação também de que aproximadamente a metade da equipe de Redação foi demitida após a mobilização, há mais de um ano. Entre colegas da Redação, há boatos de que a empresa pretende trocar o CNPJ para fugir de seus copromissos, mas segundo resposta do SJSP para este meu contato da Redação isso não seria possível, já que ela enfrenta processos na Justiça do Trabalho.

 

Barulho

 

Para concluir, situação difícil e tensa, mas que permite, sim, ações por parte do SJSP, como denúncia ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), se é que já não fizeram, mobilização da categoria para apoiar os colegas e as ações do Sindicato e, principalmente, denunciar esta empresa publicamente, mostrar que o que está fazendo é ilegal, imoral, inaceitável. Para qualquer empresa, opinião pública tem um peso substancial. Ah, nenhum veículo de comunicação vai publicar? Creio que não, mas para que servem os sites, jornais e rádios de entidades sindicais, os blogueiros e as redes sociais? Então, vamos fazer barulho?

 

Greve na EBC: muito além da defesa de direitos dos trabalhadores

1 Comentário

Assembleia EBC 5.11.13 GREVE!

Em assembleia, na terça (5/11), trabalhadores da EBC decidem pela greve

A greve dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que deve começar nesta quinta (7/11), vai muito além da defesa dos direitos dos trabalhadores, o que já não é pouco, claro. É que as coisas estão intimamente ligadas. Como empresa pública, a missão de levar à população informação independente, cultura e entretenimento de qualidade deve servir de exemplo para as empresas privadas de comunicação. Só que sem respeito aos direitos e valorização dos trabalhadores, esta tem se tornado uma Missão (quase) Impossível.

Sem aumento real (além da correção inflacionária) desde 2010, os trabalhadores rejeitam a proposta da direção da empresa, de 0,5% neste ano e outros 0,5% em 2014. Além disso, acusam imposição da empresa pela retirada de cláusulas sociais (direitos já adquiridos), acúmulo e desvio de funções. “A falta de investimentos em estrutura e em quem faz a comunicação pública gera problemas, como os verificados recentemente na transmissão do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff, no dia 21 de outubro, e na retransmissão da entrevista de Marina Silva ao Roda Viva para o resto do Brasil, no mesmo dia”, alertam os colegas em Carta Aberta.

Os trabalhadores criticam, com toda a razão, o fato do governo federal, por meio da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não ter repassado à EBC o equivalente a mais de R$ 200 milhões. Segundo eles, este valor se refere à Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública, “obtido a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, hoje sob questionamento judicial” que, em vez de ser aplicado como deveria, teria sido destinado ao pagamento de superávit primário.

Enquanto isso, muitos outros milhões são investidos pelo governo em publicidade nas grandes empresas de comunicação privadas, como a Rede Globo e a Editora Abril, que têm altíssimas taxas de lucro como único norte (ao extremo sul está o interesse público). Como se vê, apoiar esta greve não significa somente defender uma categoria (jornalista), já tão precarizada e desvalorizada pelo setor privado, mas também os direitos e interesses de toda a população.

A Carta Aberta da Comissão de Empregados da EBC, datada de 5 de novembro, já tem assinaturas dos Sindicatos dos Radialistas e de Jornalistas do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, e está aberta a novas adesões. Confira, a seguir, a íntegra do documento.

 

TRABALHADORES DA EBC EM GREVE

Carta aberta ao governo federal e à sociedade brasileira

 

Nós, trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em campanha salarial para o fechamento do Acordo Coletivo 2013/2014, aprovamos, em assembleia realizada neste dia 5 de novembro, uma greve com início marcado para a próxima quinta-feira (7/11), a partir das 16h. Este recurso é necessário frente à postura da direção da Empresa e do governo de não responder satisfatoriamente às reivindicações dos trabalhadores e de impor a retirada de direitos.

 

Antes de tudo, esta é uma mobilização em defesa da comunicação pública. Não nos perfilamos junto dos que querem minar esse patrimônio do povo brasileiro, que garante informação, cultura e entretenimento voltados ao interesse público. Ao contrário, entendemos que esse direito da população, o direito à comunicação, só pode ser assegurado com fortes investimentos em empresas públicas de comunicação, fundamentalmente na EBC. Esta é, pela legislação, a figura central do sistema público criado pela Constituição Federal de 1988. Temos clareza que esse direito não será assegurado pelo setor privado, hoje dominado por poucos conglomerados que usam a mídia para a busca do lucro e para atender aos próprios interesses. E que atacam a comunicação pública cotidianamente.

 

Para fortalecer o sistema público, é preciso aumentar os investimentos em infraestrutura, produção de conteúdo e, mais importante, na valorização do principal patrimônio da empresa que são os seus trabalhadores. Mas não é isso que vem ocorrendo. A falta de investimentos em estrutura e em quem faz a comunicação pública gera problemas, como os verificados recentemente na transmissão do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff no dia 21 de outubro e na retransmissão da entrevista de Marina Silva ao Roda Viva para o resto do Brasil no mesmo dia. Repetimos: não estamos entre aqueles que usam esses casos para apontar a comunicação pública como ineficiente, mas entre os que veem a necessidade de mudar o patamar de investimentos para garantir que eles não ocorram novamente.

 

Questionamos como é possível neste momento que uma parte da Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública (obtidas a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, hoje sob questionamento judicial) liberada pela operadora TIM, no valor de mais de R$ 200 milhões, seja travada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vinculada ao governo. Não admitimos que esse dinheiro, quando recebido, seja destinado ao pagamento de superávit primário ou que não seja considerado recurso adicional para a EBC. Se os mais de R$ 200 milhões da TIM forem destinados ao fomento à radiodifusão pública como previsto, a Empresa Brasil de Comunicação pode avançar na garantia da sua autonomia, livre das pressões governamentais ou privadas. Por isso exigimos que o governo federal mude de política para assegurar que esse recurso seja destinado para investimentos na comunicação pública, como os demais recursos do país devam ser voltados aos demais serviços públicos, como exigiram as ruas nas manifestações de junho.

 

Os recursos para o Fomento à Radiodifusão Pública, obtidos a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, no entanto, não podem substituir as verbas orçamentárias destinadas à EBC. Ao contrário, devem se somar a estas. Montante que deve assegurar a valorização dos trabalhadores por meio do atendimento de suas reivindicações. Depois de dois anos sem ganhos acima da inflação, a empresa e o governo oferecem 1% em um acordo de dois anos. Dividido pelos quatro anos da gestão de Nelson Breve, teríamos apenas 0,25% de ganho real em cada ano. Percentual insuficiente para melhorar os baixos salários da empresa.

 

A oferta na mesa avança pouquíssimo nos benefícios, trazendo vales que não foram reivindicados. Queremos a incorporação desses vales no salário. Ou, afinal, não são esses ganhos que, segundo o próprio governo, são responsáveis por manter o crescimento da economia brasileira?

 

Mas essa não é uma mobilização só por ganhos financeiros. Ela é por direitos. Garantias que o Ministério do Planejamento e a direção da EBC querem nos tirar, inclusive aquelas que não dependem de recursos financeiros. É o caso do estabelecimento de um percentual mínimo de chefias concursadas, da correção de casos de acúmulo e desvio de função ou da organização de políticas de formação interna. Ou seja, não é apenas uma questão de falta de recursos, é uma posição política de ataque aos direitos dos trabalhadores. Além disso, a diretoria da empresa segue desrespeitando as leis que regulamentam nossas profissões e permite o assédio moral como método para impor ataques aos direitos dos trabalhadores.

 

Frente a esse quadro preocupante, cobramos do governo e da direção da EBC o atendimento de nossas reivindicações. Sem a valorização de quem faz a comunicação pública, continuaremos sendo questionados e seguiremos sem assegurar nossas obrigações constitucionais e legais de prover ao povo brasileiro uma alternativa de informação, cultura e entretenimento voltados ao interesse público, instrumentos essenciais ao próprio desenvolvimento da democracia em nosso país.

 

Trabalhadores da EBC reunidos em Assembleia no dia 5 de novembro de 2013.

 

Sindicatos dos Radialistas e Jornalistas do DF, RJ e SP

 

Comissão de Empregados da EBC

 

Aberto à adesões

 

Os números do Blog da Mi em 2011

1 Comentário

Acabei de receber esse relatório com as estatísticas do Blog da Mi em 2011 e achei que seria legal compartilhar com os colegas que tornaram isso possível, como entrevistados, leitores ou os dois. Embora os números ainda sejam tímidos, fiquei muito feliz, especialmente com a interação e o interesse demonstrado pelos assuntos abordados aqui (sempre com textos exclusivos), o que traduz o principal objetivo do Blog: promover a discussão de temas de interesse dos jornalistas e a consciência coletiva dessa categoria de profissionais da qual eu orgulhosamente faço parte.

Os posts sobre a questão do diploma de jornalista são um exemplo disso. Pude perceber, a cada comentário aqui e nas redes sociais digitais nas quais foram compartilhados, o despertar de uma consciência crítica coletiva. Acredito que essa construção coletiva, através de tantos debates e depoimentos (provocados pelos posts desse Blog, por outros colegas e instituições que nos representam), tenha sido fundamental para a aprovação em 1º turno pelo Senado da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/09, que restabelece a necessidade do diploma, no finalzinho do ano: Nossa primeira e importantíssima batalha vencida nessa guerra contra interesses contrários ao coletivo e, no mínimo, obscuros.

Espero, em 2012, continuar com esse Blog, com mais posts e mais participação dos colegas, e que tenhamos mais motivos para comemorar, juntos! Um grande abraço a cada um!

A seguir, confiram os números:

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 2.700 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 45 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

Jornalistas dominam pauta do A Mulher e A Mídia 8

2 Comentários

Seminário Nacional (de 29/11 a 1º/12) será transmitido via Internet, ao vivo

Conceição Freitas, repórter do Correio Brasiliense, vai debater sobre a possível existência de uma cultura de negação do racismo e do sexismo na imprensa brasileira

Os jornalistas e o Jornalismo dominam a pauta da 8ª edição do Seminário Nacional A Mulher e A Mídia, que acontece na cidade do Rio de Janeiro (RJ- Brasil), entre terça (29) e quinta (1º/12). Além de serem maioria nas mesas de debates (dez do total de 21 participantes), os jornalistas e sua atuação na Imprensa estarão presentes em quase todos os temas discutidos e apresentados no evento. Um dos destaques é Conceição Freitas, repórter do Correio Brasiliense (Brasília-DF), vencedora na categoria Mídia Impressa do 1º Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento, realizado neste ano.

A jornalista foi premiada pela série “Negra Brasília”, que mostra a segregação social e espacial dos negros na Capital do País, conforme veiculado no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). No Seminário, ela participará do debate sobre a possível existência de uma cultura de negação do racismo e do sexismo na imprensa brasileira, na quarta (30), a partir das 9 horas.

Na terça (29), o A Mulher e A Mídia 8 prestará uma homenagem à jornalista Lena Farias, que trabalhou no Jornal do Brasil. Lena ficou conhecida por “batizar” o movimento Black Rio, iniciado no Brasil em 1977, que fundia o soul music ao samba, espelhado no movimento negro norte-americano por direitos civis e o combate ao preconceito racial. (Revista Super Interessante, Nov/ 1987)

A abertura do Seminário, na terça (29), também contará com a apresentação dos resultados do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas pela jornalista Valdice Gomes, coordenadora geral da Comissão Nacional de Jornalistas Pela Igualdade Racial (Conajira) da Fenaj. O curso foi realizado neste ano, através de parceria entre a Fenaj e a ONU Mulheres, para preparar jornalistas e estudantes de Jornalismo para a abordagem desses temas com atitude crítica, reflexiva, ética e humanizadora.

Campanha Fenaj e Pesquisa Facebook

Outra iniciativa da Fenaj foi o lançamento, em Outubro deste ano, da campanha pela Autodeclaração Racial e Étnica dos Jornalistas. O objetivo é obter dados que poderão embasar os sindicatos na busca por políticas de valorização profissional dos jornalistas negros e negras. “Umas das formas mais recorrentes de racismo acontece no ambiente de trabalho. Os negros e negras além de encontrarem dificuldade para arranjar emprego, quando conseguem dificilmente ascendem a cargos de chefia”, considera Valdice Gomes, responsável pela Campanha.

Também acredito nisso, pelas experiências que tive nas Redações nas quais trabalhei. Por isso, decidi fazer uma pesquisa informal com jornalistas, através da Página do Blog da MI no Facebook. A pergunta é “Você, jornalista, já presenciou ou soube de caso de discriminação de gênero e/ ou raça com colegas de Redação?”, com quatro alternativas. Convido o colega que passar por aqui a clicar no link acima e participar. Acredito que quanto mais jornalistas responderem, mais próximo da situação atual poderemos chegar, com resultados que possam colaborar com a avaliação do quadro, gerar reflexões e debates sobre o tema.

Publicitários X limites éticos

Os publicitários também terão voz nesta edição do A Mulher e A Mídia. Renato Meirelles, diretor do Data Popular, e Nádia Rebouças, diretora da Rebouças & Associados, vão participar do debate com o tema ‘Raça e gênero na publicidade: onde estão os limites éticos?’, quinta (01/12), a partir das 9 horas. Também participam dessa mesa de debate Edson Lopes Cardoso (jornalista, assessor especial da Sepir), Maria Luiza Heilborn (antropóloga social, coordenadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos) e Paula Andrade (jornalista, integrante da Rede Mulher e Mídia).

Transmissão ao vivo

Lembrando que o A Mulher e A Mídia 8 será transmitido, ao vivo, pelo site da Agência Patrícia Galvão. De qualquer local do Brasil e do mundo as pessoas poderão participar, enviando perguntas por e-mail, respondidas na medida do possível. Gostou? Então confira a programação completa do evento e programe-se para participar. O Seminário é uma realização do Instituto Patrícia Galvão (ONG-SP); do governo federal, através da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Sepir); da Fundação Ford e da ONU Mulheres, com apoio do BNDES.