Jornalistas dominam pauta do A Mulher e A Mídia 8

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Seminário Nacional (de 29/11 a 1º/12) será transmitido via Internet, ao vivo

Conceição Freitas, repórter do Correio Brasiliense, vai debater sobre a possível existência de uma cultura de negação do racismo e do sexismo na imprensa brasileira

Os jornalistas e o Jornalismo dominam a pauta da 8ª edição do Seminário Nacional A Mulher e A Mídia, que acontece na cidade do Rio de Janeiro (RJ- Brasil), entre terça (29) e quinta (1º/12). Além de serem maioria nas mesas de debates (dez do total de 21 participantes), os jornalistas e sua atuação na Imprensa estarão presentes em quase todos os temas discutidos e apresentados no evento. Um dos destaques é Conceição Freitas, repórter do Correio Brasiliense (Brasília-DF), vencedora na categoria Mídia Impressa do 1º Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento, realizado neste ano.

A jornalista foi premiada pela série “Negra Brasília”, que mostra a segregação social e espacial dos negros na Capital do País, conforme veiculado no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). No Seminário, ela participará do debate sobre a possível existência de uma cultura de negação do racismo e do sexismo na imprensa brasileira, na quarta (30), a partir das 9 horas.

Na terça (29), o A Mulher e A Mídia 8 prestará uma homenagem à jornalista Lena Farias, que trabalhou no Jornal do Brasil. Lena ficou conhecida por “batizar” o movimento Black Rio, iniciado no Brasil em 1977, que fundia o soul music ao samba, espelhado no movimento negro norte-americano por direitos civis e o combate ao preconceito racial. (Revista Super Interessante, Nov/ 1987)

A abertura do Seminário, na terça (29), também contará com a apresentação dos resultados do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas pela jornalista Valdice Gomes, coordenadora geral da Comissão Nacional de Jornalistas Pela Igualdade Racial (Conajira) da Fenaj. O curso foi realizado neste ano, através de parceria entre a Fenaj e a ONU Mulheres, para preparar jornalistas e estudantes de Jornalismo para a abordagem desses temas com atitude crítica, reflexiva, ética e humanizadora.

Campanha Fenaj e Pesquisa Facebook

Outra iniciativa da Fenaj foi o lançamento, em Outubro deste ano, da campanha pela Autodeclaração Racial e Étnica dos Jornalistas. O objetivo é obter dados que poderão embasar os sindicatos na busca por políticas de valorização profissional dos jornalistas negros e negras. “Umas das formas mais recorrentes de racismo acontece no ambiente de trabalho. Os negros e negras além de encontrarem dificuldade para arranjar emprego, quando conseguem dificilmente ascendem a cargos de chefia”, considera Valdice Gomes, responsável pela Campanha.

Também acredito nisso, pelas experiências que tive nas Redações nas quais trabalhei. Por isso, decidi fazer uma pesquisa informal com jornalistas, através da Página do Blog da MI no Facebook. A pergunta é “Você, jornalista, já presenciou ou soube de caso de discriminação de gênero e/ ou raça com colegas de Redação?”, com quatro alternativas. Convido o colega que passar por aqui a clicar no link acima e participar. Acredito que quanto mais jornalistas responderem, mais próximo da situação atual poderemos chegar, com resultados que possam colaborar com a avaliação do quadro, gerar reflexões e debates sobre o tema.

Publicitários X limites éticos

Os publicitários também terão voz nesta edição do A Mulher e A Mídia. Renato Meirelles, diretor do Data Popular, e Nádia Rebouças, diretora da Rebouças & Associados, vão participar do debate com o tema ‘Raça e gênero na publicidade: onde estão os limites éticos?’, quinta (01/12), a partir das 9 horas. Também participam dessa mesa de debate Edson Lopes Cardoso (jornalista, assessor especial da Sepir), Maria Luiza Heilborn (antropóloga social, coordenadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos) e Paula Andrade (jornalista, integrante da Rede Mulher e Mídia).

Transmissão ao vivo

Lembrando que o A Mulher e A Mídia 8 será transmitido, ao vivo, pelo site da Agência Patrícia Galvão. De qualquer local do Brasil e do mundo as pessoas poderão participar, enviando perguntas por e-mail, respondidas na medida do possível. Gostou? Então confira a programação completa do evento e programe-se para participar. O Seminário é uma realização do Instituto Patrícia Galvão (ONG-SP); do governo federal, através da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Sepir); da Fundação Ford e da ONU Mulheres, com apoio do BNDES.

Como o jornalista deve lidar com questões de gênero e raça?

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Curso Vozes Pela Igualdade pretende estimular observação, pesquisa e reflexão sobre a cobertura jornalística de questões de raça e gênero

Você, jornalista, já refletiu como pode contribuir para a redução do preconceito e das desigualdades raciais e de gênero através do seu trabalho? Na Redação de um veículo ou agência de Comunicação, em seu blog ou site, em seus perfis nas redes sociais digitais e até mesmo em conversas com familiares e amigos, sabemos que a visão ou a opinião de um jornalista é sempre respeitada, promove reflexão, conscientização e mudanças. E no ambiente de trabalho, já observou se há discriminação com jornalistas negros, mulheres e gays, se eles têm as mesmas oportunidades e salários que os outros?

Pois é. Coloco este assunto em discussão porque, penso, é algo que nunca deve sair da pauta, pelo menos enquanto existirem preconceito e desigualdade, mas especialmente neste ano, declarado Ano Internacional dos Afrodescendentes pela ONU (Organização das Nações Unidas), e neste mês de Novembro, o Mês da Consciência Negra. Por isso, vários eventos com essa temática estão sendo realizados neste ano, a exemplo do Seminário  A Mulher e A Mídia 8 : Mídia, Sexismo e Racismo, uma pauta ainda em questão? (RJ, 29/11 a 01/12) e do curso  Vozes Pela Igualdade (SP, 7 a 25/11).

Como?

Eventos como estes são boas oportunidades para adquirir conhecimento, acessar novas opiniões e ideias, refletir e rever valores que, muitas vezes, reproduzem preconceitos embutidos na sociedade há séculos. Embora o jornalista, quase sempre, não seja dono do veículo de comunicação ou empresa na qual trabalha, tem certo grau de autonomia que pode fazer diferença. É o que defende o jornalista Flávio Carrança, coordenador da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Concordo com ele, já que a abordagem correta dos e das personagens em uma reportagem, a valorização da cobertura de assuntos relacionados, como as políticas públicas e privadas criadas para reduzir as desigualdades, são alguns exemplos de como o jornalista pode colaborar com algo tão importante para toda a sociedade. Além disso, pode ajudar sugerindo e participando da inserção de políticas que promovam a igualdade de condições entre os colegas de trabalho.

“A Imprensa é fundamental para promover a mudança de conceitos e o apoio em massa dos jornalistas seria uma contribuição extremamente positiva. Avalio que o quadro melhorou nos últimos anos, mas ainda não está na Ordem do Dia. Nas escolas de Jornalismo, por exemplo, deveria constar da grade de disciplinas, porque é preciso qualificar os profissionais sobre como tratar adequadamente as questões raciais e de gênero”, considera Carrança.

Imprensa Negra

Importante também para o jornalista conhecer, dentro da história da Imprensa brasileira, a Imprensa Negra, representada pelos primeiros pasquins que colocaram em discussão as desigualdades enfrentadas pelos negros, já em 1833, antes mesmo da libertação dos escravos (Lei Áurea, 1888).  Carrança conta que essas publicações foram motivadas pela diferenciação imposta aos negros (já libertos) em cargos públicos aos quais tinham acesso na época, especialmente na Guarda Nacional, porque não havia brancos em número suficiente para atingir o contingente necessário.

Esses pasquins (O Mulato ou O Homem de Cor, Brasileiro Pardo, O Cabrito e O Lafuente) foram publicados no Rio de Janeiro durante a Regência, em meio a vários outros pasquins que surgiram na época diante das incertezas sobre os novos rumos do País. “Acredito que essas publicações foram circunstanciais. Não houve continuidade. Só vimos movimento similar bem depois”, considera Carrança.

Entre as publicações seguintes, ele cita algumas do final do século XIX, diante das grandes dificuldades enfrentadas pelos negros no mercado de trabalho com a Lei Áurea: A Pátria (SP, 1889); O Homem (PE, 1876); O Exemplo (RS, 1892). E, depois, na primeira metade do século XX, com O Getulino (Campinas-SP, 1923), pelos jornalistas Lino Guedes e Gervásio Moraes; e Clarim da Alvorada (São Paulo, 1924), por José Correa Leite e Jaime Aguiar.

Curso e visita ao Museu

Imprensa Negra- Raízes foi o tema do debate no primeiro dia do curso Vozes Pela Igualdade, 7 de Novembro, realizado pelo Sindicato dos Jornalistas em sua sede, em São Paulo. O curso, gratuito, é destinado a jornalistas e estudantes de Jornalismo, com o objetivo de contribuir para o fim da violência de gênero e raça e para a construção da igualdade e do fim da discriminação, por meio do estímulo à observação, à pesquisa e à reflexão sobre a cobertura jornalística dessa temática.

O projeto é resultado de parceria entre o Sindicato e a Cojira, com apoio e organização do CELACC-ECA/USP (Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação). Entre os próximos eventos que integram o curso está uma visita monitorada ao Museu Afro Brasil (vídeo), no próximo domingo, dia 13 de Novembro, entre 14h e 17h. Não é preciso pré-inscrição nem estar no curso para participar da visita, basta comparecer à recepção do Museu (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/no. – Parque Ibirapuera – Portão 10 – São Paulo- SP), às 13h30.

“O Museu Afro Brasil tem um acervo único no País, seja pela quantidade ou diversidade. A visita permite uma aproximação mais qualificada com o tema”, avalia Carrança. Detalhes da programação e outras informações sobre o curso, que vai até 25 de Novembro, no site do Sindicato dos Jornalistas de SP.

8ª edição do A Mulher e A Mídia vai permitir interação online

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Seminário nacional , realizado no Rio de Janeiro, entre 29/11 e 01/12, será transmitido via Internet. Convidados irão responder perguntas enviadas por e-mail. 

Além de assistir ao Seminário Nacional ao vivo, pela Internet, as pessoas vão poder participar do debate, enviando perguntas por e-mail. Esse é um grande diferencial dessa 8ª edição do A Mulher e A Mídia (de 29 de Novembro a 1º de Dezembro, na cidade do Rio de Janeiro), que neste ano terá como tema central Mídia, Sexismo e Racismo: uma pauta ainda em questão?. A expectativa do Instituto Patrícia Galvão, um dos realizadores do evento, é de que entre 500 e 1.000 pessoas acompanhem os debates através do site Agência Patrícia Galvão.A transmissão online foi a alternativa encontrada para ampliar a visibilidade dos debates, diante da redução significativa no limite de participantes do Seminário Nacional A Mulher e A Mídia, de 250 (em 2010) para 150 em 2011, devido à mudança de local (neste ano será em auditório do BNDES). A Agência Patrícia Galvão explica que as perguntas serão recebidas durante as exposições dos debatedores das Mesas/ Temas e, na medida do possível, respondidas na sequência.

Tema

O principal motivo da escolha do tema do A Mulher e A Mídia deste ano é que 2011 é o Ano Internacional dos Afrodescentes, conforme calendário definido pela ONU (Organização das Nações Unidas). Tradicionalmente, o Seminário aborda questões sobre os direitos das Mulheres em relação às abordagens da Mulher pela Mídia, mas pode incluir outros temas relacionados aos Direitos Humanos, como o combate ao racismo nesta edição.

Na edição anterior, A Mulher e A Mídia 7 (veja resumo no vídeo, ao final do post), por exemplo, o debate foi sobre A Mídia e as Mulheres no Poder, devido ao momento histórico com a eleição da primeira presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Detalhes como temas das Mesas, debatedores, conteúdo dos debates, fotos e vídeos são disponibilizados no site da Agência Patrícia Galvão. Essa cobertura completa deve se repetir neste ano.

Profissionais de Comunicação

Entre os públicos alvo do A Mulher e A Mídia 8 (pessoas que atuam com Comunicação, Gênero e Raça/ Etnia) , os profissionais de Comunicação (jornalistas, publicitários, relações públicas, mkt, etc.) são considerados muito importantes pelos organizadores do evento, já que lidam diretamente com as questões abordadas. Tradicionalmente, alguns destes profissionais também são convidados a participar das Mesas de discussão e debate, para trazer à público suas experiências e impressões.

Para a edição desse ano do A Mulher e A Mídia 8, os nomes dos convidados e os temas específicos de cada Mesa devem ser definidos nos próximos dias. Contudo, a Agência Patrícia Galvão nos antecipou algumas discussões que não vão faltar, como a forma de representação de mulheres e negros nas campanhas publicitárias veiculadas na Mídia, a imagem do trabalho dos negros nas telenovelas, a cobertura jornalística sobre racismo no Brasil e a presença de negros nas Redações.

A base dessa discussão sobre negros nas Redações será a campanha da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) pela Autodeclaração Racial e Étnica dos Jornalistas, lançada recentemente. Outra ferramenta para as discussões será o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas, realizado neste ano em parceria da Fenaj com a ONU Mulheres, para preparar jornalistas e estudantes de Jornalismo para a abordagem desses temas com atitude crítica, reflexiva, ética e humanizadora. Para o curso, foi utilizado um Guia para Jornalistas sobre Gênero, Raça e Etnia.

Para participar no RJ

Interessados em participar do evento, no Rio de Janeiro, podem fazer sua Pré-inscrição A Mulher e A Mídia 8 antes das 18h de 9 de Novembro. Os participantes serão selecionados conforme a área de atuação e interesse no tema, até o limite de 140 vagas. O Seminário A Mulher e A Mídia 8 é uma realização do Instituto Patrícia Galvão, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) do governo federal, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal, da Fundação Ford e da ONU Mulheres, com apoio do BNDES.