As frustrações e alegrias de ser jornalista

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Excluídos

Parte da capa de “Excluídos- o não jornal” (maio de 1996), publicação independente de um grupo de estudantes de Jornalismo da PUC-Campinas, do qual me orgulho de ter participado. Foto: Rossana Lana

Ser jornalista é..

trabalhar muito ganhando pouco ou até mesmo nada, uma vez que, hoje em dia, é comum empresas jornalísticas atrasarem o pagamento de salários e benefícios sob argumento de “dificuldades financeiras” (paga suas contas atrasadas e com juros, mas o carrão importado e a viagem internacional do patrão estão em cima!);

ter absoluta consciência da precarização do seu trabalho para manter os altos lucros do patrão, ser “o portador” da notícia, mas, não sendo “o dono da caneta”, se ver impedido de reportá-la (já que o interesse público só vai até onde não conflite com os interesses do empresariado);

vivenciar situações rotineiras de assédio moral e sexual, perder momentos importantes da vida de seus filhos e familiares sem demonstrar sentimentos (afinal, Jornalismo não é para fracos!);

ser pressionado/a diariamente (às vezes até ameaçado/a), por todos os lados, do patrão/ anunciante a algumas fontes de informação (já que todo mundo quer se dar bem, sair bem na fita e você, mero/a operário/a da imprensa, não pode atrapalhar!);

lidar, em cada matéria, com o conflito entre o que acredita, o que o patrão quer/espera (linha editorial) e o que o leitor/ telespectador/ ouvinte merece (já que um fato pode ter N interpretações);

sentir dor física e moral. Como a visão do patrão costuma prevalecer, caso não seja a mesma do colega a frustração aflora e, acompanhada de toda essa situação cotidiana, provoca estresse, depressão e outras doenças, podendo levar à morte;

Mas, ser jornalista também é..

Sentir a adrenalina da investigação, do furo, do poder de mostrar a coisa errada, desonesta;

Ter o prazer de colaborar (mesmo que só um pouquinho, como grãos de areia) com a conscientização das pessoas sobre valores humanos, justiça, cidadania, mostrar histórias que emocionam e que nos fazem pensar;

Ser persistente e convicto/a. Mesmo vivendo sua frustração cotidiana, encarar cada nova pauta como um desafio de ir mais a fundo, fazer melhor, convencer todo mundo de que a sua história merece a capa, a chamada principal;

Ficar feliz e orgulhoso/a em ver sua assinatura naquela matéria que as pessoas pararam pra ler/ ver/ ouvir e pensar sobre algo que lhes passaria despercebido ou que jamais teriam condições de saber por conta própria;

Sim, apesar de tudo, SER JORNALISTA ainda vale a pena!

#7deAbril  #DiaDaJornalista

Repressão a rádios comunitárias à vista!

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Jerry de Oliveira, durante Ato em Campinas-SP (foto: Roberto Claro)

Por Jerry De Oliveira

 

Mais uma vez, eu me dirijo às rádios comunitárias e aos militantes da luta pela democratização da comunicação. O governo golpista de Michel Temer já mostrou para que veio em relação a aposentadoria, propondo um regresso aos anos 30. Também já mostrou a que veio em relação a retirada de direitos propondo a negociação entre a raposa e a galinha (trabalhador x empregado) nas negociações salariais.

Hoje pela manhã, acordamos estarrecidos com a medida provisória 744/2016, que extingue o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), demitindo sumariamente o presidente legalmente empossado e colocando em seu lugar um interventor, relembrando os anos de chumbo da ditadura. E o pior, tentando acabar com o conceito de comunicação pública (ainda em gestação) dos representantes da sociedade civil, eleitos democraticamente por nós.

Uma ditadura se impõe nas armas, com a determinação do governo Temer e Geraldo Alckmin de colocar suas tropas nas ruas para impedir a manifestação de seguimentos contrários a seu regime, que convocou um ato democrático para este domingo na Avenida Paulista. A outra forma de manter uma ditadura é calar uma imprensa livre, que neste momento é representada pelos trabalhadores da EBC, pela mídia alternativa das redes sociais e por nós das rádios comunitárias e livres. Felizmente após toda a repressão sofrida por nós durante 20 anos e o atrelamento da mídia privada ao grande capital, podemos dizer que este golpe também foi orquestrado por eles (mídia privada) e que também não merece nenhuma trégua por parte das forças populares anti golpe.

Temos recebidos informações quase que diárias de valorosos aliados de nossa luta que atuam dentro da estrutura do Ministério das Comunicações (que antes chamávamos de sub sede da ABERT, e que hoje se transformou efetivamente na sede do monopólio da comunicação em nosso país), que esta sendo deflagrada a operação extermínio, com a abertura de milhares de processos de apuração de infração contra nossas emissoras comunitárias, o fim do Plano Nacional de Outorgas de Rádios comunitárias, um decreto de implementação do sistema americano de rádio digital (IBOC) e uma proposta de Emenda Constitucional transferindo toda a regulação da radiodifusão para a incompetente e criminalizadora agência reguladora ANATEL, cuja missão política é favorecer os desmandos do monopólio e reprimir violentamente as comunidades que valorizam a cultura e ousam romper com o modelo de difusão de valores da classe dominante, que somos nós, as rádios livres e comunitárias.

Temos à frente desse Ministério um verdadeiro lacaio dos interesses privados, que no ano de 2009, quando ainda era prefeito de São Paulo, realizou uma operação midiática e criminosa ao destruir 8 toneladas de equipamentos apreendidos pela ANATEL e nos acusou, sem nenhuma prova material, de relação com o crime organizado.

A atual secretaria de comunicação eletrônica é suspeita para dirigir a respectiva Secretaria por ter sido assessora e consultora na área para um dos maiores conglomerados de mídia do país (SBT). Apesar de todas as denúncias encaminhadas pelas organizações sociais da luta pela democratização da comunicação às autoridades do Ministério Público Federal, sequer abriram processo para apurar sua relação promíscua com o monopólio, caracterizando de forma nua e crua que todo o sistema está podre e que necessita de reformas urgentes.

Também é importante ressaltar que este governo golpista tem se utilizado de discursos de metas fiscais para cortes de gastos, acabando com importantes secretarias inclusivas, como a Seppir, Secretaria de Mulheres e tantas outras, como desculpa para cortes no Orçamento, mas esconde o aumento de recursos para a fiscalização das rádios livres e comunitárias pela ANATEL, com o aluguel de veículos de luxo para a repressão, inclusive.

Para nós, de rádios comunitárias, torna-se necessário retomar a rebeldia dos anos 90, recolocar mais emissoras no ar contra esta onda reacionária e anti-democrática que assola nosso país, ocupando o dial, aumentando nossas potências, não reconhecendo o papel repressor da Anatel em nossas emissoras e garantindo espaço para que todos possam dialogar e dizer pra sociedade que temos o nosso bem mais precioso. A liberdade.

Precisamos nos organizar nacionalmente para se contrapor a este extermínio e necessitamos do engajamento das rádios verdadeiramente democráticas e comprometidas com a Democracia para a derrubada deste governo golpista. Torna-se necessária a realização de uma assembléia nacional e popular dos movimentos sociais e da luta pela democratização da comunicação para construirmos um verdadeiro movimento nacional de comunicação contra hegemônico e contra o golpe fascista.

Jerry De Oliveira é militante do Movimento de Rádios Comunitárias

A queda do diploma de jornalista e a Democratização da Mídia

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Objetivo da derrubada do Diploma foi enfraquecer, estrategicamente, a categoria de jornalistas. Inexistência de regras e fiscalização da mídia pune toda classe trabalhadora e minorias para manutenção de ‘status quo’

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Redação de veículo de comunicação

A defesa da liberdade de expressão é o argumento daqueles que defendem a inexigibilidade do diploma universitário de jornalista para o exercício da profissão no País, mas também dos que são contrários à regulação e/ou democratização da mídia, ao que costumeiramente chamam de “censura”. Coincidência? Nenhuma, já que as duas questões estão diretamente ligadas e são regidas pelo mesmo grupo político-econômico. Não à toa, é grande a participação de jornalistas entre militantes de movimentos pela democratização da mídia, mas infelizmente eles ainda representam muito, mas muito pouco mesmo da nossa categoria.

Creio que a maioria dos colegas simplesmente não tenha conhecimento sobre a proposta de democratização da mídia, seja por falta de interesse ou porque acabou incorporando a visão deturpada dos donos de veículos de comunicação. Inclusive já vi comentários de alguns disseminando a falsa ideia de tentativa de censura, que geraria crise financeira aos veículos de comunicação e, consequentemente, mais desemprego de jornalistas. Que boa parte da sociedade, movida pelo senso comum, absorva este conceito apresentado como “verdade” no noticiário dos donos das mídias, é compreensível, mas de jornalistas não podemos aceitar isso.

Isso porque, do jornalista, um profissional de comunicação social que deve ter compromisso com a verdade e a ética, que deve zelar pelo respeito aos direitos humanos, que é o responsável por levar informação ao restante da sociedade, se espera mais que o senso comum, no mínimo. Embora todas as categorias de trabalhadores sejam prejudicadas pela inexistência de uma mídia democrática em nosso País, a dos jornalistas e duplamente punida. E digo como.

Manutenção do status quo

Sem regras e fiscalização, os donos da mídia detêm monopólios que operam exclusivamente conforme seus interesses e dos setores que representam, dos quais fazem parte, direta ou indiretamente, grandes grupos empresariais nacionais e internacionais e políticos (alguns políticos são donos da mídia). E o que é que move o setor empresarial, senão o máximo lucro possível, mesmo que seja preciso massacrar a classe trabalhadora e desrespeitar as minorias (negros, mulheres, LGBTTs, etc.)? Assim, todo o conteúdo, principalmente o noticioso, é transmitido de forma a garantir estes interesses, a qualquer custo, e, mesmo utilizando uma concessão pública, muitas vezes contra o interesse público.

Qualquer ato ou ação contrária à manutenção deste status quo é manipulada, limada, reduzida a quase nada, a exemplo de greves de trabalhadores ou protestos de movimentos por moradia, sobre os quais sempre são destacadas as consequências imediatas, como o congestionamento no trânsito e a falta de serviços, mas nunca os motivos daqueles que buscam nada mais do que seus direitos. Direitos negados pelos patrões e pelo Estado.

Precarização, assédio moral e demissões

E o jornalista está no meio disso. Se discorda ou contesta esse tipo de conduta do veículo de comunicação ou da precarização das condições de trabalho a que é submetido, é assediado e, muitas vezes, acaba desempregado. Se a categoria é unida e representativa, pode ter força suficiente para combater isso por meio de sindicatos. Caso contrário, fica rendida. E é aí que entra a questão da inexigibilidade do diploma, em vigor desde 2009 por decisão do STF, embora seis anos depois a maioria dos postos de trabalho ainda sejam preenchidos por profissionais.

O fato dos donos dos veículos de comunicação terem a possibilidade de contratar qualquer pessoa para exercer funções de jornalista é uma arma engatilhada na cabeça dos jornalistas profissionais. Ou seja, o objetivo com a queda do diploma não foi contratar não jornalistas, mas sim enfraquecer ainda mais uma categoria de trabalhadores estratégica e vital para toda a sociedade. E os patrões vêm conseguindo isso.

Se a precarização das condições de trabalho, como a contratação sem registro em Carteira e o desrespeito a pisos salariais, já existiam antes de 2009, depois foi ampliada em larga escala com a “pejotização” (contratação do jornalista como se fosse empresário, sem direitos trabalhistas), a “estagização” (contratação de estudantes com obrigações e carga horária de profissionais) e as tão temidas demissões em massa.

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Com a previsibilidade deste quadro, logo após a decisão do STF sindicatos de jornalistas e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) iniciaram uma campanha por uma Proposta de Emenda à Constituição Federal (PEC) para restabelecer a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Algumas PECs foram propostas por parlamentares e uma delas (a Nº 33/ 2009) foi aprovada no Senado. Agora, esta PEC deverá ser finalmente colocada em votação na Câmara dos Deputados nesta terça (7 de Abril de 2015), Dia do Jornalista: mais uma batalha a ser vencida! E não será fácil, nem esta batalha, nem as próximas, até que a PEC entre em vigor e que a Mídia nesse País seja, de fato, Democrática.

Greve na EBC: muito além da defesa de direitos dos trabalhadores

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Assembleia EBC 5.11.13 GREVE!

Em assembleia, na terça (5/11), trabalhadores da EBC decidem pela greve

A greve dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que deve começar nesta quinta (7/11), vai muito além da defesa dos direitos dos trabalhadores, o que já não é pouco, claro. É que as coisas estão intimamente ligadas. Como empresa pública, a missão de levar à população informação independente, cultura e entretenimento de qualidade deve servir de exemplo para as empresas privadas de comunicação. Só que sem respeito aos direitos e valorização dos trabalhadores, esta tem se tornado uma Missão (quase) Impossível.

Sem aumento real (além da correção inflacionária) desde 2010, os trabalhadores rejeitam a proposta da direção da empresa, de 0,5% neste ano e outros 0,5% em 2014. Além disso, acusam imposição da empresa pela retirada de cláusulas sociais (direitos já adquiridos), acúmulo e desvio de funções. “A falta de investimentos em estrutura e em quem faz a comunicação pública gera problemas, como os verificados recentemente na transmissão do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff, no dia 21 de outubro, e na retransmissão da entrevista de Marina Silva ao Roda Viva para o resto do Brasil, no mesmo dia”, alertam os colegas em Carta Aberta.

Os trabalhadores criticam, com toda a razão, o fato do governo federal, por meio da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não ter repassado à EBC o equivalente a mais de R$ 200 milhões. Segundo eles, este valor se refere à Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública, “obtido a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, hoje sob questionamento judicial” que, em vez de ser aplicado como deveria, teria sido destinado ao pagamento de superávit primário.

Enquanto isso, muitos outros milhões são investidos pelo governo em publicidade nas grandes empresas de comunicação privadas, como a Rede Globo e a Editora Abril, que têm altíssimas taxas de lucro como único norte (ao extremo sul está o interesse público). Como se vê, apoiar esta greve não significa somente defender uma categoria (jornalista), já tão precarizada e desvalorizada pelo setor privado, mas também os direitos e interesses de toda a população.

A Carta Aberta da Comissão de Empregados da EBC, datada de 5 de novembro, já tem assinaturas dos Sindicatos dos Radialistas e de Jornalistas do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, e está aberta a novas adesões. Confira, a seguir, a íntegra do documento.

 

TRABALHADORES DA EBC EM GREVE

Carta aberta ao governo federal e à sociedade brasileira

 

Nós, trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em campanha salarial para o fechamento do Acordo Coletivo 2013/2014, aprovamos, em assembleia realizada neste dia 5 de novembro, uma greve com início marcado para a próxima quinta-feira (7/11), a partir das 16h. Este recurso é necessário frente à postura da direção da Empresa e do governo de não responder satisfatoriamente às reivindicações dos trabalhadores e de impor a retirada de direitos.

 

Antes de tudo, esta é uma mobilização em defesa da comunicação pública. Não nos perfilamos junto dos que querem minar esse patrimônio do povo brasileiro, que garante informação, cultura e entretenimento voltados ao interesse público. Ao contrário, entendemos que esse direito da população, o direito à comunicação, só pode ser assegurado com fortes investimentos em empresas públicas de comunicação, fundamentalmente na EBC. Esta é, pela legislação, a figura central do sistema público criado pela Constituição Federal de 1988. Temos clareza que esse direito não será assegurado pelo setor privado, hoje dominado por poucos conglomerados que usam a mídia para a busca do lucro e para atender aos próprios interesses. E que atacam a comunicação pública cotidianamente.

 

Para fortalecer o sistema público, é preciso aumentar os investimentos em infraestrutura, produção de conteúdo e, mais importante, na valorização do principal patrimônio da empresa que são os seus trabalhadores. Mas não é isso que vem ocorrendo. A falta de investimentos em estrutura e em quem faz a comunicação pública gera problemas, como os verificados recentemente na transmissão do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff no dia 21 de outubro e na retransmissão da entrevista de Marina Silva ao Roda Viva para o resto do Brasil no mesmo dia. Repetimos: não estamos entre aqueles que usam esses casos para apontar a comunicação pública como ineficiente, mas entre os que veem a necessidade de mudar o patamar de investimentos para garantir que eles não ocorram novamente.

 

Questionamos como é possível neste momento que uma parte da Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública (obtidas a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, hoje sob questionamento judicial) liberada pela operadora TIM, no valor de mais de R$ 200 milhões, seja travada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vinculada ao governo. Não admitimos que esse dinheiro, quando recebido, seja destinado ao pagamento de superávit primário ou que não seja considerado recurso adicional para a EBC. Se os mais de R$ 200 milhões da TIM forem destinados ao fomento à radiodifusão pública como previsto, a Empresa Brasil de Comunicação pode avançar na garantia da sua autonomia, livre das pressões governamentais ou privadas. Por isso exigimos que o governo federal mude de política para assegurar que esse recurso seja destinado para investimentos na comunicação pública, como os demais recursos do país devam ser voltados aos demais serviços públicos, como exigiram as ruas nas manifestações de junho.

 

Os recursos para o Fomento à Radiodifusão Pública, obtidos a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, no entanto, não podem substituir as verbas orçamentárias destinadas à EBC. Ao contrário, devem se somar a estas. Montante que deve assegurar a valorização dos trabalhadores por meio do atendimento de suas reivindicações. Depois de dois anos sem ganhos acima da inflação, a empresa e o governo oferecem 1% em um acordo de dois anos. Dividido pelos quatro anos da gestão de Nelson Breve, teríamos apenas 0,25% de ganho real em cada ano. Percentual insuficiente para melhorar os baixos salários da empresa.

 

A oferta na mesa avança pouquíssimo nos benefícios, trazendo vales que não foram reivindicados. Queremos a incorporação desses vales no salário. Ou, afinal, não são esses ganhos que, segundo o próprio governo, são responsáveis por manter o crescimento da economia brasileira?

 

Mas essa não é uma mobilização só por ganhos financeiros. Ela é por direitos. Garantias que o Ministério do Planejamento e a direção da EBC querem nos tirar, inclusive aquelas que não dependem de recursos financeiros. É o caso do estabelecimento de um percentual mínimo de chefias concursadas, da correção de casos de acúmulo e desvio de função ou da organização de políticas de formação interna. Ou seja, não é apenas uma questão de falta de recursos, é uma posição política de ataque aos direitos dos trabalhadores. Além disso, a diretoria da empresa segue desrespeitando as leis que regulamentam nossas profissões e permite o assédio moral como método para impor ataques aos direitos dos trabalhadores.

 

Frente a esse quadro preocupante, cobramos do governo e da direção da EBC o atendimento de nossas reivindicações. Sem a valorização de quem faz a comunicação pública, continuaremos sendo questionados e seguiremos sem assegurar nossas obrigações constitucionais e legais de prover ao povo brasileiro uma alternativa de informação, cultura e entretenimento voltados ao interesse público, instrumentos essenciais ao próprio desenvolvimento da democracia em nosso país.

 

Trabalhadores da EBC reunidos em Assembleia no dia 5 de novembro de 2013.

 

Sindicatos dos Radialistas e Jornalistas do DF, RJ e SP

 

Comissão de Empregados da EBC

 

Aberto à adesões

 

Repressão da PM em SP prova ascensão do poder e influência de forças políticas opressoras

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A repressão da Polícia Militar do estado de São Paulo aos manifestantes e a jornalistas que atuavam na cobertura dos atos de protesto contra o aumento do valor da passagem de ônibus na cidade de São Paulo, nesta semana, é prova concreta e inconteste do crescente poder e influência de forças políticas opressoras, atrasadas e com mentalidade tacanha, pra dizer o mínimo (alguns as chamam de conservadoras, mas acho um adjetivo muito leve para o caso). Há meses, talvez mais, observamos movimentos políticos com objetivo de nos levar de volta ao Brasil dos anos 1930, 1950, tendo como exemplo mais visível e marcante o “personagem” incorporado por Feliciano (pastor e deputado federal), entre outros que representam alguns grupos religiosos.

Apesar de demonstrar abertamente preconceitos e posições discriminatórias (algumas que podem ser consideradas crime, inclusive) que pensávamos já estarem ficando no passado recente desta sociedade “moderna” (?), como sua proposta pela “cura gay”, comentários racistas, machistas e homofóbicos, Feliciano se mantém ileso como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Em várias capitais e grandes cidades do País não faltaram protestos e manifestações públicas requerendo a destituição desta pessoa humana (pasmem!) do cargo. Os protestos foram totalmente pacíficos e não se teve notícia de intervenção da PM, porém, sem sucesso!

A diferença fundamental, agora, nestes protestos iniciados pela indignação com o aumento da tarifa de ônibus, é o dinheiro, claro, e muito, nada menos que o lucro milionário dos donos das empresas de ônibus que exploram os sistemas de trasportes na capital do estado e em todo o País. Nadam de braçada, fazem o que querem para manter seus altos lucros. E os usuários do sistema que se lixem, que se espremam dentro de ônibus, metrôs e trens superlotados, que levem horas nestas condições sub-humanas para chegar ao trabalho e voltar pra casa. Ainda expõem os trabalhadores do sistema a péssimas condições, sem o menor constrangimento. E todos têm de se conformar e aceitar sem reclamar, claro, afinal, “a vida é assim, difícil mesmo”.

Assim, aliaram-se o objetivo político destes grupos ditos “conservadores”, o que inclui reprimir os movimentos sociais e qualquer manifestação ou protesto que vá contra a “ordem e os bons costumes”, e o objetivo dos capitalistas em manter tudo como está para garantir alta lucratividade.

Novo cenário na RMSP

Ao mesmo tempo, temos na cidade de São Paulo e no ABC a predominância de prefeituras que passaram, no início deste ano, a ser administradas pelo Partido dos Trabalhadores (PT), nascido dos movimentos sociais na década de 1980, que também se mantém no governo federal há 10 anos e, embora mais recentemente tenha se afastado um pouco desta sua origem, conserva entre seus pares vozes mais críticas e com boa influência, que se mantêm ligadas aos movimentos sociais. Desse modo, a possibilidade destes movimentos sociais serem “ouvidos” por estes governos era maior neste momento.

Em outras capitais também estavam ocorrendo protestos… “se a moda pega”, imagine a proporção a que isso poderia chegar. Conclusão, eles (os capitalistas e os políticos conservadores e oportunistas que os representam) precisavam “abortar” o Movimento antes que tomasse força e conseguisse sensibilizar os prefeitos e a sociedade para algo muito maior que os R$ 0,20 acrescidos ao valor da tarifa de ônibus. E a cidade de São Paulo, a mais importante e influente do País, deveria servir de exemplo.

Erro estratégico

Talvez, o que estas forças opressoras não contavam era que o que chamam de “despreparo de policiais militares”, atingindo violentamente manifestantes, jornalistas e até cidadãos comuns que passavam pelos locais, chegaria a tal ponto de chamar a atenção da sociedade para a realidade, a verdade, que cotidianamente faz calar o trabalhador e a trabalhadora brasileiros, embevecidos pelo enredo da novela das oito misturado propositalmente ao do noticiário televisivo. A classe média “politicamente correta” também não aceitou tal postura, afinal, conhece a história e sabe ao que levou a opressão por meio da repressão policial na Ditadura nos anos de 1960-70.

É claro que a barbárie generalizada foi o erro estratégico, mas a faísca que talvez faltasse foi atingir e prender jornalistas (profissionais a quem a sociedade delega o poder de buscar e lhes trazer a informação) e, detalhe, todo tipo deles, desde o free lancer ao funcionário da grande mídia (burguesa). Pronto, a bomba fora acionada. Nas redes sociais digitais, milhões de comentários criticando a ação da PM, alguns com mais profundidade.. Órgãos nacionais e internacionais ligados a entidades de classe e de direitos humanos começam a se manifestar em apoio aos protestos no Brasil.

Será que agora, somente agora (embora não tarde), a sociedade de modo geral vai conseguir enxergar este movimento opressor e preconceituoso, disposto a impor o retrocesso histórico e cultural neste País a qualquer custo? Será que vamos parar para refletir com profundidade sobre quem são estes grupos e o que representam? Espero que sim.

Sobre a fiscalização em Veja e o despertar no SJSP

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Nova Carteira de Trabalho. Foto: Renato Alves (MTE)

Nova Carteira de Trabalho. Foto: Renato Alves (MTE)

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP ou Jornalistas SP) traz notícia interessante em sua publicação mensal, o Jornal Unidade, edição de março, sobre ataque da revista Veja ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após fiscalização na sede da editora Abril (que publica Veja), pedida pelo Sindicato. Conforme o texto, a revista publicou uma nota na edição de 20 de fevereiro intitulada “Zero à esquerda” com a seguinte frase: “Qual a importância real do Ministério do Trabalho hoje?”.

Pois eu, uma simples jornalista do interior, respondo aos digníssimos colegas editores e colunistas de Veja que a importância do MTE está justamente em fiscalizar e punir empresas como a editora Abril, que contratam precariamente os colegas como PJ (Pessoa Jurídica) para ampliar seus lucros ou, neste caso, talvez minimizar seus prejuízos, já que os exemplares desta que foi, há um bom tempo, uma boa opção de informação, têm encalhado cada vez mais nas bancas.

Bem, se estiver mesmo no prejuízo, taí um bom motivo para considerar fechar as portas e dar espaço a quem queira fazer bom jornalismo e que respeite os trabalhadores. Caso contrário, se for mesmo só para ampliar os lucros da família Civita, espero que a resposta seja dada pela Justiça, em alto e bom som, que condene esses maus patrões que não cumprem nem mesmo com o básico, que é a contratação pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Aos colegas jornalistas que trabalham em Veja, assim como a todos os outros que são convencidos ou submetidos por seus patrões (veículos de comunicação e agências) a esse tipo de contratação, sugiro que reflitam sobre as consequências disso, para nós que estamos atuando no mercado neste momento e para as gerações futuras, com a relevante perda de direitos e desvalorização de toda uma categoria.

É preciso ter consciência de que não somos empreendedores, como alguns destes patrões tentam nos convencer. Se assim fosse, abriríamos nossos próprios negócios ou seríamos acionistas da empresa, né?!? Por isso, botem a boca no trombone, denunciem aos sindicatos, ao Ministério Público e ao MTE. Nossos sindicatos têm obrigação de nos representar e até mesmo preservar identidades, se for o caso.

Representação tardia, mas oportuna

Embora em minha opinião tenha demorado mais do que deveria, tudo indica que a direção do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo finalmente denunciou e cobrou com a força necessária do Ministério Público ações de fiscalização contra a “pejotização”, fenômeno que já vem ocorrendo há vários anos no estado de São Paulo e em todo o País e cresceu a passos largos mais recentemente. No Meio, o que se falava até o início do ano passado era que este era um fenômeno inevitável, uma tendência de mercado.

Ah, tá, então deveríamos rasgar a CLT e nos conformar com mais essa desculpa esfarrapada desse Neoliberalismo fracassado? E para que servem os sindicatos, então, se não para representar os trabalhadores na preservação de seus direitos? Certamente, que para oferecer convênios de desconto em bares e hotéis é que não é, ao menos não somente, nem principalmente. “Opa! Quem sou? De onde vim? Para onde vou?” Acho que caiu a ficha…

E nessa cobrança, acredito que a contribuição dos colegas que atuam na oposição dentro do Jornalistas SP tenha sido relevante. Já há algumas eleições consecutivas que a oposição (Chapa 2) chega bem perto de assumir a direção do nosso sindicato aqui em SP e, certamente, o debate em torno da precarização das condições de trabalho, tendo a pejotização como carro chefe, influenciou a direção a rever suas ações ou a falta delas. Fiz parte da Chapa 2 pela Regional Campinas já por duas vezes, em 2006 e em 2012, e me orgulho disso.

Embora não seja uma “sindicalista profissional”, a reflexão e conscientização dos colegas sobre as condições de trabalho e seus direitos sempre me acompanharam nos meus já mais de 15 anos de profissão. E estas últimas eleições foram marcadas pelo amplo debate dessas condições e do que a categoria espera de seu sindicato. A maioria votante decidiu que a direção do Jornalistas SP continuasse nas mãos do mesmo time em que já estava há mais de uma década, mas todos nós, da categoria de jornalistas trabalhadores, amadurecemos.

Transparência

Para finalizar, uma sugestão à direção do Jornalistas SP: que publique no site a relação de todas as empresas denunciadas e fiscalizadas, pois todos queremos e temos o direito de acompanhar este trabalho e, quem sabe, até colaborar para que o combate à pejotização e outras formas de precarização do trabalho sejam combatidas, doa a quem doer, e mais rápido do que espera o nosso presidente, Guto Camargo, que disse: “O combate à pejotização é um processo moroso, mas que precisa ser feito.” (página 3 do Unidade de março/13). Então, vamos à Luta!

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