Repressão a rádios comunitárias à vista!

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Jerry de Oliveira, durante Ato em Campinas-SP (foto: Roberto Claro)

Por Jerry De Oliveira

 

Mais uma vez, eu me dirijo às rádios comunitárias e aos militantes da luta pela democratização da comunicação. O governo golpista de Michel Temer já mostrou para que veio em relação a aposentadoria, propondo um regresso aos anos 30. Também já mostrou a que veio em relação a retirada de direitos propondo a negociação entre a raposa e a galinha (trabalhador x empregado) nas negociações salariais.

Hoje pela manhã, acordamos estarrecidos com a medida provisória 744/2016, que extingue o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), demitindo sumariamente o presidente legalmente empossado e colocando em seu lugar um interventor, relembrando os anos de chumbo da ditadura. E o pior, tentando acabar com o conceito de comunicação pública (ainda em gestação) dos representantes da sociedade civil, eleitos democraticamente por nós.

Uma ditadura se impõe nas armas, com a determinação do governo Temer e Geraldo Alckmin de colocar suas tropas nas ruas para impedir a manifestação de seguimentos contrários a seu regime, que convocou um ato democrático para este domingo na Avenida Paulista. A outra forma de manter uma ditadura é calar uma imprensa livre, que neste momento é representada pelos trabalhadores da EBC, pela mídia alternativa das redes sociais e por nós das rádios comunitárias e livres. Felizmente após toda a repressão sofrida por nós durante 20 anos e o atrelamento da mídia privada ao grande capital, podemos dizer que este golpe também foi orquestrado por eles (mídia privada) e que também não merece nenhuma trégua por parte das forças populares anti golpe.

Temos recebidos informações quase que diárias de valorosos aliados de nossa luta que atuam dentro da estrutura do Ministério das Comunicações (que antes chamávamos de sub sede da ABERT, e que hoje se transformou efetivamente na sede do monopólio da comunicação em nosso país), que esta sendo deflagrada a operação extermínio, com a abertura de milhares de processos de apuração de infração contra nossas emissoras comunitárias, o fim do Plano Nacional de Outorgas de Rádios comunitárias, um decreto de implementação do sistema americano de rádio digital (IBOC) e uma proposta de Emenda Constitucional transferindo toda a regulação da radiodifusão para a incompetente e criminalizadora agência reguladora ANATEL, cuja missão política é favorecer os desmandos do monopólio e reprimir violentamente as comunidades que valorizam a cultura e ousam romper com o modelo de difusão de valores da classe dominante, que somos nós, as rádios livres e comunitárias.

Temos à frente desse Ministério um verdadeiro lacaio dos interesses privados, que no ano de 2009, quando ainda era prefeito de São Paulo, realizou uma operação midiática e criminosa ao destruir 8 toneladas de equipamentos apreendidos pela ANATEL e nos acusou, sem nenhuma prova material, de relação com o crime organizado.

A atual secretaria de comunicação eletrônica é suspeita para dirigir a respectiva Secretaria por ter sido assessora e consultora na área para um dos maiores conglomerados de mídia do país (SBT). Apesar de todas as denúncias encaminhadas pelas organizações sociais da luta pela democratização da comunicação às autoridades do Ministério Público Federal, sequer abriram processo para apurar sua relação promíscua com o monopólio, caracterizando de forma nua e crua que todo o sistema está podre e que necessita de reformas urgentes.

Também é importante ressaltar que este governo golpista tem se utilizado de discursos de metas fiscais para cortes de gastos, acabando com importantes secretarias inclusivas, como a Seppir, Secretaria de Mulheres e tantas outras, como desculpa para cortes no Orçamento, mas esconde o aumento de recursos para a fiscalização das rádios livres e comunitárias pela ANATEL, com o aluguel de veículos de luxo para a repressão, inclusive.

Para nós, de rádios comunitárias, torna-se necessário retomar a rebeldia dos anos 90, recolocar mais emissoras no ar contra esta onda reacionária e anti-democrática que assola nosso país, ocupando o dial, aumentando nossas potências, não reconhecendo o papel repressor da Anatel em nossas emissoras e garantindo espaço para que todos possam dialogar e dizer pra sociedade que temos o nosso bem mais precioso. A liberdade.

Precisamos nos organizar nacionalmente para se contrapor a este extermínio e necessitamos do engajamento das rádios verdadeiramente democráticas e comprometidas com a Democracia para a derrubada deste governo golpista. Torna-se necessária a realização de uma assembléia nacional e popular dos movimentos sociais e da luta pela democratização da comunicação para construirmos um verdadeiro movimento nacional de comunicação contra hegemônico e contra o golpe fascista.

Jerry De Oliveira é militante do Movimento de Rádios Comunitárias

Hasta siempre Joao Zinclar

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Zinclair

Quantas fotos ficaram por fazer?
Quantas lutas aguardando o teu clique de eternidade?
Quantos rostos e lutas e punhos erguidos ficarão no anonimato?
Quantos prantos?
Quantas internacionais ficarão silenciosas sem tuas fotos?

Andamos
Zinclair
Os que documentamos
As lutas populares
Solitários
Por campos e cidades
De ônibus
De caminhão
Como animais sedentos por justiça
No perigo constante
Como trapezistas sem rede de contenção
Como monges tibetanos
Concentrados
Atrás dos campos
Onde se livram as batalhas
Contra a opressão

Sabemos
Zinclair
Que qualquer BR assassina nos espera na volta da esquina
Como um cassetete
Um gás lacrimogêneo
Ou uma bala nem tão perdida

Mas nem tudo está perdido
Zinclair
Haverá livros que contarão tua história
Jornalistas honrarão em textos tua memoria
Do Chuí ao Oiapoque
Militantes sociais
Não esquecerão que um dia houve
Um fotógrafo armado de ternura
Que andou os mesmos caminhos
De poeira e solidariedade

Não esquecerão que um dia
Houve Joao Zinclair
E muitos levantarão
Tua câmera
E continuarão
Fazendo foco
No inimigo

Alguém disse
Que nas tuas veias
Corriam as águas do rio São Francisco
Digo mais
Frei Cappio celebrou
A última missa
No por do sol do teu coração
Ensanguentado

Ficastes
No asfalto
Destroçado
Mas abraçado à tua câmera
Onde as águas do Velho Chico
Sempre correrão em liberdade….

Carlos Pronzato
Poeta e cineasta/documentarista

28.01.13
Salvador- Bahia

Poema dedicado ao fotógrafo e amigo João Zinclar (1953 – 2013). Faleceu na madrugada do dia 19 de janeiro de 2013 num acidente na BR 101, no Município de Campo dos Goitacazes (RJ) quando viajava num ônibus que foi atingido por um caminhão.

OBS.: O nome do repórter fotográfico homenageado é João Zinclar

Diploma de jornalismo de volta. Ainda bem!

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Por Pedro Pomar

 

“A formação de nível superior é fundamental para qualificar os profissionais de jornalismo. Trata-se de uma profissão extremamente complexa, especialmente num país como o Brasil, em que o sistema de mídia ocupa um papel central na sociedade. Cabe aos cursos de jornalismo formar profissionais capazes de entender o mundo e de produzir informação idônea e de qualidade. O jornalista presta um serviço público de alta relevância e, não raramente, seu trabalho contraria poderosos interesses econômicos e políticos, aos quais ele não deve se dobrar”.

Dei estas declarações ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), que realiza no próximo final de semana (21 e 22 de setembro, sexta e sábado) o Congresso Distrital dos Jornalistas. Fui convidado a falar aos colegas de Brasília na abertura do Congresso, sobre questões como diploma de jornalista, regulamentação da profissão, precarização das relações de trabalho etc.. O “ping pong”, já disponível no site do SJPDF, é uma espécie de aperitivo e “aquecimento” para o debate que certamente ocorrerá.

Neste mesmo final de semana, mas estendendo-se até o dia 23, domingo, realiza-se em Caraguatatuba o XIV Congresso Estadual dos Jornalistas de São Paulo, cujo tema é “Jornalismo e Trabalho no Século XXI”. Os jornalistas fazem parte do mundo do trabalho e a categoria profissional mostra-se disposta, cada vez mais, a debater o seu protagonismo.

O Senado acaba de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33/2009, de autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-ES), chamada de “PEC do Diploma” ou “PEC dos Jornalistas”, que restabelece a obrigatoriedade do diploma específico de jornalismo para o exercício da profissão. Trata-se de uma vitória da categoria, dos seus sindicatos e da sua federação, a Fenaj. Caso venha a ser aprovada na Câmara dos Deputados, retornaremos à situação anterior a 2008, ano em que o Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu às pressões dos barões da mídia e derrubou a exigência do diploma.

Registre-se que, tão logo o Senado aprovou a PEC 33, surgiram, dentro da categoria, artigos de colegas como Lúcia Guimarães, Clóvis Rossi e outros, que são contra o diploma, em geral repetindo a alegação de que “é nas redações que se aprende” etc.. Deveriam refletir dialeticamente, em vez de apelar para o senso comum. Como declarei ao site do SJPDF, os “donos da mídia não gostam do diploma, porque os jornalistas diplomados são [na média] mais conscientes e mais dispostos a brigar por seus direitos”. Os patrões querem liberdade total para contratar quem lhes dê na telha. A exigência do diploma é um obstáculo a esse tipo de contratação imperial e irresponsável, imune a qualquer parâmetro.

O diploma é uma garantia para a sociedade. Os jornalistas diplomados estão mais aptos a exercer a profissão do que as pessoas que ainda hoje aparecem nas redações para “tentar a sorte”. Na média, as chances de um jornalista diplomado se tornar um bom profissional são bem maiores do que as chances de um não diplomado.

O argumento de que o diploma fere a liberdade de expressão é absurdo, além de ridículo. O Brasil é um país em que um único grupo empresarial, a Globo, detém 70% do mercado de comunicação; em que um único grupo, a RBS, monopoliza as mídias impressas e eletrônicas de dois Estados (RS e SC), a ponto de ser processado pelo Ministério Público Federal; em que há cerca de 15 milhões de analfabetos absolutos e cerca de 30 milhões de analfabetos funcionais. Nesse contexto, acusar o diploma de jornalismo como cerceador da liberdade de expressão ou é muita ingenuidade, ou muita má fé.

Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação)

* Publicado originalmente no ESCREVINHADOR, em 18/9- http://www.rodrigovianna.com.br/colunas/mundos-do-trabalho/diploma-de-jornalismo-de-volta-ainda-bem.html 

Jornalista promove seminário para contar sobre viagem a Cuba

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Jornalista de Campinas (SP-Brasil), Amanda Cotrim, promove seminário, neste sábado (30)

‘Aproximar mundos; desmistificar Cuba’ é o tema do seminário. Contar sobre minha experiência foi o caminho encontrado para aproximar esses dois lugares tão distintos e, ao mesmo tempo, tão semelhantes (Brasil e Cuba)

Amanda Cotrim, Especial para o Blog da Mi

Em minha primeira viagem internacional, tive como destino Cuba (e não poderia ser diferente). Com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil, fui para a Ilha estudar cinema, na Escola de Cinema e TV de Cuba, que fica em San Antonio de los Baños, no interior da província Havana, capital do país.

O curso teve duração de quinze dias, mas eu dobrei esse número e fiquei um mês em Cuba. Apesar do pouco tempo, pude conhecer, de fato, o que nem tudo a teoria é capaz de abarcar.

No primeiro momento, quando “pisei” no aeroporto José Martí, meus músculos enrijeceram por completo. Estava em Cuba. A primeira certeza disso foi o cheiro: a Ilha tem cheiro.

Apesar de ir estudar cinema, estava com meu gravador e minha máquina fotográfica nas mãos, dispostas a recolher o máximo de material possível para realizar uma grande reportagem. Nessas horas o “espírito” de repórter fala mais alto. Cumpri com o que prometi a mim. Trouxe de Cuba grandes histórias.

Amanda “ao lado de ” Glauber Rocha, na Escola de Cinema e TV de Cuba

Também pude me revoltar ao perceber que fui completamente enganada sobre Cuba. Primeiro, a Ilha não é uma ilha. Segundo, em Cuba a liberdade de expressão não só existe como se manifesta com muita naturalidade. Não é por menos que gravei (com gravador mesmo) com alguns cubanos conversas sobre política, cultura, saúde, imprensa, entre outros.

Pude conhecer um hospital cubano, pois, infelizmente, tive problemas de saúde na ilha. Entraram grãos de areia no meu olho, durante um passeio na praia, e eu acabei pegando conjuntivite. O tratamento que recebi em Cuba foi rápido e fácil. Pude conhecer um pedacinho do bolo tão invejado e admirado pelo mundo: a saúde cubana.

Pretendo ressaltar que os Cubanos não são ET´s: eles amam, brigam, dançam, comem porcaria (salgados, refrigerantes, etc), fumam, bebem, falam palavrão, se irritam, amam, tomam cerveja e gostam MUITO de cinema! (risos). A diferença dos cubanos está num campo que não se atinge de um dia para o outro: os valores. Esses que só foram transformados porque, na prática, houve um mudança estrutural, na economia, na política e, consequentemente, na sociedade.

Meu objetivo com o seminário, na Fábrica Flaskô, é esse:  Aproximar mundos; desmistificar Cuba. Contar sobre minha experiência foi o caminho encontrado para aproximar esses dois lugares tão distintos e, ao mesmo tempo, tão semelhantes (Brasil e Cuba). O seminário contará com  apoio de imagem, vídeo e áudio.

“Cuba Livre”

“Crianças Cubanas”

 

Fotos: Arquivo pessoal Amanda Cotrim

 

Serviço:

O quê: Seminário Cuba (participação gratuita)

Quando: Sábado, 30 de junho de 2012, às 16h

Onde: Fábrica Flaskô- Rua Marcos Dutra Pereira, 300, Jardim Bandeirantes, Sumaré (SP)

Contato: (19) 3864.2624