Da esquerda para direita: Cardoso, Audálio Dantas, Torves (mediador) e Rebelo

Da esquerda para direita: Cardoso, Audálio Dantas, Torves (mediador) e Rebelo

“A PM é uma herança maldita! Raros são os dias em que policiais militares não atiram para matar nas periferias das grandes cidades, fazendo vítimas jovens e negros. Falta coragem dos governos para agir contra isso”, disse o jornalista e escritor Audálio Dantas, durante o 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado entre 2 e 6 de abril de 2014, em Maceió (AL). Ele foi um dos convidados para o debate ‘O Jornalismo e a Democracia contemporânea’, dia 4, ao lado de Edson Cardoso, assessor especial da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, e Aldo Rebelo, ministro dos Esportes.

Aos colegas que não conhecem a história de Audálio Dantas, recomendo a pesquisa. Aos 80 anos de idade, se mostra mais lúcido que muitos jovens adultos. Entre outros feitos, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) entre 1975 e 1978, período em que a entidade denunciou a omissão das autoridades no caso da morte de Vladimir Herzog (então diretor da TV Cultura de São Paulo), torturado e morto pelos militares. Também presidiu a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj): o primeiro eleito por voto direto, em 1983.

Depois de suas exposições iniciais, Dantas e Cardoso interagiram com a plateia e contribuíram para um bom debate, um dos melhores do Congresso em minha opinião, apesar do que considerei uma falta de respeito do ministro e colega (jornalista) Aldo Rebelo, cujo ministério- dos Esportes- foi um dos patrocinadores do Congresso, assim como a Seppir, entre outros.

Saída à francesa

Rebelo falou à vontade e foi embora sem sequer ouvir as perguntas dos participantes. A justificativa foi que precisava visitar sua mãe. O discurso do ministro foi longo. Ele falou das dificuldades enfrentadas por jornalistas e políticos durante a Ditadura e reclamou de críticas veiculadas pela Imprensa sobre a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, que será realizada no Brasil neste ano. Enquanto Rebelo falava, alguns cartazes, com críticas à Copa e/ou à forma como o evento vem sendo viabilizado, foram erguidos na plateia.

Contraditório como justamente em um Painel sobre Jornalismo e Democracia, um dos debatedores da Mesa (o ministro e jornalista) discursa e vai embora, e ainda, na sequência, a direção da Fenaj (realizadora do Congresso) tenta restringir as inscrições para perguntas em apenas três diante de uma fila de pelo menos doze companheiros, a maioria delegados (eleitos pelos sindicatos estaduais para representar a base no Congresso). Sob protestos, mas somente após intervenção de Cardoso (Seppir), acabaram voltando atrás e reabrindo os microfones.

Também coube a Cardoso tentar remediar a ausência do colega do Planalto, sugerindo o envio das perguntas por e-mail. Sem desconsiderar a boa vontade dele, certamente que quem vai a um debate não se conforma em enviar perguntas por e-mail. Cardoso se disse emocionado ao ver o tamanho da fila que se formou rapidamente após as exposições dos debatedores. “Sinal de que as pessoas têm algo a dizer”, disse ele.

Audálio em Campinas

Na próxima quarta (23 de abril), Audálio Dantas participará de debate da Jornada de Jornalismo da PUC-Campinas (Campinas-SP), a partir das 19h30, no Auditório D. Gilberto (Campus I). O tema do debate será o Golpe de 1964.

 

* Com informações do Portal dos Jornalistas (sobre trajetória de Audálio Dantas)- http://www.portaldosjornalistas.com.br/perfil.aspx?id=2494 e do SJSP- Regional Campinas (sobre o debate em Campinas)
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