Votação de estado de greve na Redação de O Vale, em janeiro de 2013 (foto extraída do site do SJSP)

Votação de estado de greve na Redação de O Vale, em janeiro de 2013 (foto: SJSP)

O pagamento de salários com atraso, a contratação de jornalistas como ‘freela fixo’ (sem registro em carteira) e contratações por salários abaixo do piso da categoria já viraram rotina no Jornal O Vale, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP). Nos últimos dias, uma pessoa que trabalha na Redação do “digníssimo” periódico me procurou para falar destes problemas, que revelam a precariedade a que são submetidos os colegas lá. Infelizmente, sabemos que esta não é a única empresa que precariza jornalistas, mas nem por isso tais ilegalidades podem ser admissíveis, banalizadas.  

 

Segundo este relato, o atraso no pagamento dos salários teria atingido todos os trabalhadores (310, segundo o site da empresa), mas há outras irregularidades na contratação de jornalistas: maioria dos repórteres contratados como ‘freelancers fixos’ (sem registro em carteira e os direitos previstos na legislação trabalhista, mas com as mesmas obrigações que qualquer outro trabalhador) e com salários muito abaixo do piso da categoria, acúmulo de função e de horas extras não pagas. “O pior é que os editores estão chamando novos profissionais para trabalhar sabendo que a empresa não está conseguindo cumprir os compromissos financeiros”, acrescenta.

 

Em resposta a esta pessoa, a Regional do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP) disse que já fizeram tudo que podiam sem a participação dos funcionários, por isso só restaria a greve, já que o atraso no pagamento de salários nesta empresa ocorre há mais de um ano. A empresa alega que não tem dinheiro para honrar seus compromissos e a situação já foi e continua sendo denunciada ao Ministério Público do Trabalho, que aplicou multas, segundo esta resposta do SJSP.

 

Histórico

 

Em uma rápida busca no Google encontrei duas notícias sobre o problema em O Vale (nenhuma em site de empresas jornalísticas, claro). Uma delas no site do SJSP, de 29 de novembro de 2012, fala de uma mesa redonda que aconteceria entre Sindicato e diretoria da empresa, devido ao atraso no pagamento dos salários em 2 meses consecutivos. Já a segunda notícia, veiculada no site da Comunidade JusBrasil, há 1 ano, traz um histórico do caso, que inclui também o jornal Bom Dia (os dois jornais pertenciam à mesma empresa, a Valebravo Editorial, ambos em S. J. dos Campos).

 

O histórico relata uma manifestação conjunta em frente à empresa, realizada por quatro sindicatos (dos Jornalistas, dos Gráficos, dos Publicitários e dos Administrativos), e a realização de uma Mesa Redonda no DRT, que gerou um acordo que não foi cumprido pela empresa. Ainda, conforme esta notícia do JusBrasil, no dia anterior à manifestação os trabalhadores estavam em estado de greve e a direção da empresa teria trancado as portas para impedir que saíssem e participassem da assembleia que decidiria pela paralisação.

 

Há informação também de que aproximadamente a metade da equipe de Redação foi demitida após a mobilização, há mais de um ano. Entre colegas da Redação, há boatos de que a empresa pretende trocar o CNPJ para fugir de seus copromissos, mas segundo resposta do SJSP para este meu contato da Redação isso não seria possível, já que ela enfrenta processos na Justiça do Trabalho.

 

Barulho

 

Para concluir, situação difícil e tensa, mas que permite, sim, ações por parte do SJSP, como denúncia ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), se é que já não fizeram, mobilização da categoria para apoiar os colegas e as ações do Sindicato e, principalmente, denunciar esta empresa publicamente, mostrar que o que está fazendo é ilegal, imoral, inaceitável. Para qualquer empresa, opinião pública tem um peso substancial. Ah, nenhum veículo de comunicação vai publicar? Creio que não, mas para que servem os sites, jornais e rádios de entidades sindicais, os blogueiros e as redes sociais? Então, vamos fazer barulho?

 

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